PÁGINA INICIAL FAVORITOS RSS

 

Três X O Pai Ó? Polêmica a vista!!!
Publicado às 13:10 em 12/12/2008

Muito tem se falado sobre o retrato pintado da Bahia, que vem sendo ultimamente divulgado pelo filme e, agora, seriado global O Pai Ó, estrelado pelo Bando de Teatro Olodum. Muitas pessoas não estão satisfeitas com o excesso de estereótipos baianos presentes na trama. Particularmente, adoro a peça de teatro, que deu origem a tudo, e também não sou fã da versão para as outras linguagens. Acho o Bando muito melhor do que o que foi apresentado. Mas por outro lado, é bom ver um "bando" de atores baianos invadindo o horário nobre das casas brasileiras e provocar uma discussão a cerca desse tema tão importante.

A Bahia, realmente e, graças a Deus, não é só o Pelourinho, não é só axé, não é só baiana de acarajé, não é só dendê, não é só muita coisa. Mas é isso também. E o Bando não é bobo e certamente tem consciência disso, já que está atualmente em cartaz no Rio de Janeiro com quatro peças do seu repertório (Ó Pai Ó, Áfricas, Cabaré da Rrrrrraça e Sonho de uma noite de verão). Isso quer dizer, mais ou menos: "Ok, você já conhecem isso, agora conheça outras coisas também".

Isso me fez lembrar de um episódio que vivi na Escola de Teatro, quando ainda era aluna de Interpretação. Estava participando de um projeto, com uma cena, onde interpretava uma empregada doméstica. Um aluno, ainda ressentido, foi para sala de aula chorando dizendo que tal cena diminuía o negro. A professora, que também era coordenadora de uma ONG, onde eu trabalhava, organizou uma reunião com outras coordenadoras para me questionarem por onde andava a minha "questão negra". Disseram que interpretar uma empregada reafirmava os estereótipos e desvalorizava minha raça. Olhei para a cara daquela senhora e tentei me lembrar de algum momento em que a vi sentada na platéia de algum espetáculo que eu tenha feito. Pensei também em desde quando ser empregada doméstica era indigno, enfim... Era um típico discurso de uma senhora de escravos, querendo manipular a "escravinha". A verdade é que posso fazer empregada doméstica também. Sou atriz. Preciso ser muitas. E sou. Basta acompanhar a minha carreira. Somos muitos. É fato.

Pode ser que a versão de Ó Pai Ó tenha irritado porque diferentemente do teatro, o cinema e a TV são linguagens que dominam o Brasil de uma forma mais rápida e avassaladora. Além do mais, por mais que tentem fugir, nós não somos só aquilo, mas também somos aquilo. Somos a Barra, o Caminho das Árvores, Lauro de Freitas, Campo Grande, mas também somos o Pelourinho, o Maciel. Agora que o Brasil já conhece o Bando de Teatro Olodum, é o momento de mostrarem que para se fazer um delicioso caruru, não basta só jogar o dendê na panela. Sejamos profundos então. E na torcida.

E vocês, o que acham disso?

 

Comentários ( )
RSS


 

É tempo de pensar em mudanças?
Publicado às 12:48 em 12/12/2008

O ano de 2009 está chegando e, com ele, a nossa eterna esperança por dias melhores. A nossa atual cultura, infelizmente, está a cada dia mais cambaleante. De quem é a culpa? Minha? Sua? Do atual governo? De Jaspion? De Hamlet? Não. Pelo menos, não somente. A culpa é nossa. Talvez chamar de culpa seja muito forte. Provavelmente o nome correto seja responsabilidade. Somos os grandes responsáveis pela crise que vivemos hoje. Principalmente, porque reclamamos muito, sempre, todos os dias, todas as horas e deixamos passar, como se um milagre fosse acontecer.  Simplesmente, jogamos a responsabilidade para terceiros. Nós culpamos o governo, o governo culpa Y, Y culpa Z e nesse jogo de culpa (sempre essa culpa), todos nós entramos em coma.

Recentemente, soube que enviaram uma carta anônima a Moacyr Gramacho, atual Diretor do Teatro Castro Alves, falando mal de suas atitudes e de sua atuação enquanto "chefe". Também soube que enviaram uma outra carta anônima ao grupo Dimenti, dizendo que o fato deles ganharem tantos editais se deve ao fato de possuírem costas quentes. As últimas reuniões com os artistas acontecidas na Sala do Coro para anuncio de editais se transformaram em deprimentes seções de terapia, sem médicos, sem receitas ou qualquer possibilidade de salvação. A sensação que tive era de estar numa clínica psiquiátrica como aquela do filme "Bicho de Sete Cabeças", sem ninguém se ouvir ou falar coisa com coisa.

Percebo também que tudo isso se deve ao fato de estarmos realmente cansados. Aonde queremos parar? São muitos os ranços, os rancores, os complexos, as incoerências... e a nossa arte, que é o mais importante, fica respirando com a ajuda de aparelhos. Concordo que os grandes projetos precisavam, sim, atingir a população do interior, mas não acho certo isso prejudicar a capital. A proposta deveria ser de parceria interior-capital, numa mesma luta, num mesmo objetivo. Mas vejo atualmente editais com valores ínfimos, que valoriza tudo, menos a parte humana (ou dá pra montar uma equipe dignamente remunerada com um edital de 20.000?), pessoas indo embora da cidade em busca da sonhada "terra do nunca", outras com trajes étnicos, no meio da rua, gritando por não sei o quê, as caixas de correio amarrotadas de correspondências enviadas por seres "invisíveis", vários atores tarimbados desempregados, um governo já começando a ficar desacreditado e todos a mercê de uma raiz que demora a produzir uma planta boa, com bons frutos.

Como todo bom brasileiro, somos até otimistas, mas andamos um tanto irritados, impacientes e indignados. Queremos mudanças. Mas será que sabemos realmente que mudanças são essas? A quem pertencem essas mudanças? Somos vítimas? Somos vilões? O Dimenti, por exemplo, é aprovado constantemente em projetos porque sabe fazê-los. E não é só os daqui que eles ganham. É no Brasil todo. A verdade é que eles entenderam a real definição da palavra profissionalização e praticam isso, todos os dias. Gostando ou não gostando, é um grupo digno de admiração. Muito mais do que lutar contra, temos que estar a favor. Que bom que tem alguém que consegue, que bom que o interior está tendo vez, que bom o que TCA.núcleo está rolando, que bom, que bom... Agora a questão é o que fazer com tudo isso. Temos que aprender a fazer projetos, temos que fazer com que entendam que o interior é importante, sim, mas a capital não pode ser encarada como ameaça, temos que mandar sugestões que melhorem a estrutura do núcleo, que ainda é frágil e discutível... Vamos, gente. Vamos remando a favor, de tudo, de todos, de nós mesmos. Por mais desestimulador que seja (e é muito), não vamos desistir dos editais. Vamos aprender a usá-los e vamos pensar outras coisas, vamos pressionar sem neuras, sem traumas, sem mágoas.

Nós, artistas, temos que parar de usar a arte somente como terapia. Teatro tem que ser profissão, teatro tem que fazer crescer, teatro tem que pagar as contas, teatro tem que pagar nossos luxos. E com dignidade SEMPRE.

Vamos nos movimentar, minha gente! Pelo amor de Deus! O universo sempre conspira. Axé!

Comentários ( )
RSS


 

A volta do Premiado Pedro e a cobra-de-fogo
Publicado às 09:16 em 7/11/2008

O cenário é um quarto velho e abandonado. Nele, criaturas saídas de garrafas perambulam pelo quarto, tornando a história repleta de magia e mistério. Pedro é o personagem principal desta aventura. Em meio a livros, brinquedos, objetos... velhos ele embarca numa viagem onde contracena com personagens como o Urubu Rei, os Urubus Chefes, Astrobaldo, A Pantera, a Gata e o Leão, as Três irmãs do Oráculo e vários outros seres misteriosos.

Assim é Pedro e a cobra-de-fogo, espetáculo dirigido por Osvaldo Rosa, que ganhou o Prêmio Braskem de Teatro nas Categorias Melhor Espetáculo Infanto-Juvenil e Melhor de Texto, escrito por Tom S. Figueredo. Além das Indicações na Categoria Especial pelo Cenário de Igor Souza e a Direção de Osvaldo.
Poderia ser mais uma história daquelas infantis que todos nós estamos cansados de ver e fazer. Mas não é. Pedro e a cobra-de-fogo tem como objetivo agregar crianças de 2 a 100 anos e, para isso, utiliza-se de um texto ágil, divertido, que envolve e faz pensar, com atores que se dividem em vários personagens, que entram e saem do palco como num passe de mágica. A iluminação e o cenário são, sem dúvida, pontos primordiais para a concretização dessa ilusão.

Já falei várias vezes que não gosto de comentar muito sobre espetáculos que estou envolvida, principalmente este, onde sou um dos intérpretes. Mas não posso deixar passar porque, além de ser realmente bom, me pego, diversas vezes, também como espectador, viajando nas loucuras dos meus outros colegas. Além de mim, o elenco conta com Luciana Comin, Geovane Nascimento, Marcone Araponga e Jorge Baía.

É, sim, um espetáculo que tem que ser visto, não só pela qualidade e pela "magia", mas pelo estímulo a leitura, pelo estímulo a ida ao teatro, pelo estimulo a redescoberta da identidade infantil. Então, atenção, crianças, mamães, papais, vovós e vôvôs!!! O espetáculo ainda estará em cartaz nos dias 15, 16, 22 e 23 de novembro, sábado e domingo, às 17 horas, no Teatro Jorge Amado. Imperdível!!!

Comentários ( )
RSS


 

FIAC BAHIA 2008 – Celebração e Conquista!!!
Publicado às 11:49 em 6/11/2008

Foi um sucesso a primeira Edição do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC-Bahia), que aconteceu de 24 a 31 de outubro. Artistas de diversos cantos do mundo, reunidos em vários palcos do Estado (contando com Feira de Santana e Camaçari), apresentando espetáculos, oficinas, bate-papos, lançamentos... enfim, uma celebração comanda por Nehle Franke, Ricardo Libório e Felipe de Assis.

De Peter Brook a Caio Fernando Abreu, vivemos dias de puro deleite cultural. Fiquei muito feliz com tudo. Com os espetáculos, com os grupos, com a equipe, com os espaços, com a celebração. Com certeza, há muito tempo a Bahia não abrigava um evento tão forte, organizado e consistente neste segmento, que reuniu artistas de Congo, da França, da Noruega, de outros Estados brasileiros e da própria Bahia. Inclusive, a maioria dos espetáculos já circulou por diversos Estados brasileiros, mas nunca havia passado por aqui. Uma conquista agora comemorada por nós.

Dos vários espetáculos e grupos que passaram pelos nossos palcos, destaco o Grupo Espanca!-MG interpretando Por Elise – espetáculo delicado e tocante, onde uma dona de casa, que possui um pé de abacate em seu quintal, teme a queda desses frutos em sua cabeça, tudo permeado de outros personagens, outras questões e outras histórias (de quantos abacates temos que nos livrar na vida?); A Cia dos Atores e o seu Ensaio.Hamlet – uma desconstrução curiosa do Hamlet de Shakespeare, onde cada personagem, além do próprio Hamlet se questiona e corre atrás de seu "ser ou não ser?", a Cia Luna Lunera-MG e o seu inesquecível  Aqueles Dois – espetáculo limpo, melancólico, a partir do universo de Caio Fernando Abreu, onde dois homens em conflito são multiplicados pelos quatro atores;

O Grupo XIX de Teatro-SP trouxe Hysteria (o que mais me tocou) que aconteceu dentro do Instituto Feminino da Bahia. Lá, homens e mulheres eram separados. As mulheres praticamente faziam parte da encenação e os homens eram as principais testemunhas. Sempre tive medo de peças interativas, mas fui desarmada. Que espetáculo lindo, simples, sem textos complicados, sem cenários super elaborados... nada disso. Só sentimento, só verdade. Prova de que para que o teatro aconteça basta a presença de atores e da platéia. Até a luz era a natural, a que entrava pelas janelas. Me emocionei bastante. Tantas mulheres, tantas de nós... Uma que esperava um marido que nunca chegava, outra que reprimia todas, mas que era tão prisioneira e histérica quanto...

Destaco também os loucos da Cia do Chapitô – Portugal e o seu O Grande Criador, que desconstrói toda a história da bíblia, desde Adão à Jesus, com ironia, cinismo e humor. Achei longo e sem final, mas adorei a cara de pau e ver atores se divertido em cena. É tão bom ver isso! Também tivemos o Centro Internacional de Criação Teatral (C.I.C.T.) – Théâtre des Bouffes du Nord – França, trazendo o inspiradíssimo Sizwe Banzi Est Mort, dirigido por Peter Brook, onde atores brilhantes, carismáticos e conscientes nos mostravam o tão já conhecido "less is more".

Além desses, passaram por aqui muitos outros espetáculos que, infelizmente, não pude ver. Após tanto tempo reclamando de novidades nos palcos soteropolitanos, após algum tempo órfãos do queridíssimo Mercado Cultural, finalmente, um evento que faz a cidade voltar a respirar cultura por oito dias ininterruptos. Quem não sonhou em ter que escolher entre 03 espetáculos bons numa noite para assistir? Quem não sonhou participar de oficinas capitaneadas pelos melhores nomes do mercado cultural mundial? Quem não sonhou encontrar com os amigos, no final disso tudo, num local animado, com atrações boas, para trocar impressões de tudo, de todos e até de nada? O FIAC foi tudo isso e muito mais. Por isso, já estamos saudosos e esperando o próximo. Agora já fazemos parte do seleto grupo dos melhores Festivais Internacionais de Artes Cênicas do país. E este foi só o primeiro. Imagine!!! Que venha!!!

Creditos da fotos:
Aqueles dois: Diego Pisante
Ensaio.Hamlet:  Paulo Lacerda
Hysteria: Adalberto Lima

Comentários ( )
RSS


 

"Não adianta pedir o milagre... Quando você menos espera, ele vem"
Publicado às 09:30 em 7/10/2008

Abrem-se as cortinas e lá está a trupe do XVIII para mais uma aventura. Desta vez, Milagre na Baía, uma fábula em prosa, poesia e música. Desta vez, com a união da Cia Axé do XVIII, dos Miúdos da Ladeira, de algumas crianças moradoras do Pelourinho e da atriz Evelin Buchegger, sob a batuta da também atriz e diretora Rita Assemany e texto de Aninha Franco. E, finalmente, desta vez, para comemorar os onze anos do Theatro XVIII.

Sempre resisto a escrever sobre peças que estou de alguma forma envolvida. Aceitei honrosamente participar da produção desta montagem, que é inspirada no filme "Milagre em Milão" (1951), do diretor italiano Vittorio de Sica. Inspirada mesmo, porque, apesar de não ser nada bairrista, ela é totalmente baiana e totalmente brasileira.

Milagre na Baía conta a história de Totó, um menino que, ao ser abandonado num cesto dentro do mar, é criado por uma senhora na Baía de Todos os Santos. Milagre, na verdade, abre espaço para que pensemos sobre os vários milagres com que nos deparamos, mas que, por uma razão ou outra, não os percebemos. São milagres que nos acompanham desde sempre, desde que o mundo é mundo, que está acima do bem e do mal, seja num nascer, num renascer, num florescer, num caminhar, num respirar... Milagre independe do nosso desejo, da nossa vontade, inesperadamente, inexplicavelmente... ele sempre vem.

Reunir 29 artistas no palco foi um ato de coragem e Rita Assemany, conhecida por suas irretocáveis interpretações, certamente, mais do que ninguém, tem consciência do tamanho desse desafio. Esse fato, inclusive, fez com que a direção invertesse o espaço cênico: a platéia virou palco e o palco virou platéia. Por outro lado, entregar a esses "milhares" de atores o desafio de cantar, dançar e tocar foi também um ato de loucura. Uma loucura boa e que, felizmente, deu certo e transformou-se num espetáculo sensível, tocante, envolvente e forte. É impossível sair do teatro sem se apaixonar pelas crianças, todas vizinhas do XVIII, sem se emocionar com as músicas compostas por Jarbas Bittencourt, sem ter vontade de entrar no palco, em busca do seu próprio milagre.

Milagre tem gente nova, tem gente experiente, tem gente inexperiente, tem gente com vontade, tem gente, tem gente... A sensação é de uma enorme tribo, num só corpo, num só ritmo, num só momento. Acompanhe esse milagre de quinta a domingo, as 20 horas, no Theatro XVIII. 

Comentários ( )
RSS


 

Em paz com Dois Perdidos Numa Noite Suja
Publicado às 12:00 em 16/9/2008

Não vou mentir, não gostava muito dos textos de Plínio Marcos. Achava-os chatos, nojentos e depressivos. Ou melhor, não gostava mesmo era de algumas montagens de Dois Perdidos Numa Noite Suja que vi por aqui. E por conta disso, mantive um certo preconceito por toda a obra dele. Aí, me sentei numa biblioteca e devorei algumas de suas obras. Depois, também vi outras montagens. Inclusive, amei as mais recentes versões soteropolitanas de Quando as máquinas param (de Sérgio Almeida) e Barrela (da Companhia de Theatro Gente e Direção de Nathan Marreiro).

Acredito que muita gente pensa que interpretar Plínio Marcos é retratar sempre o sofrimento exacerbado, a depressão... Parece que pobre, mendigo, alcoólatra, menino de rua, ladrão... não têm sonhos, não têm humor, não acreditam no sol e são o tempo todo depressivos e pessimistas. Nãaaaaaaaaaaaaaaao. Eles têm sim. Na época em que fiz Os Iks, por exemplo, precisei observar os moradores de rua e, surpreendentemente, me divertia muito com alguns deles. Aquele mundo não é o ideal, pelo contrário, mas é o mundo deles. E eles aproveitam, com riso, com choro, com desespero, com pessimismo e também com otimismo. E Plínio também retrata isso, mostrando o "submundo", sem perder a humanidade, a busca pela dignidade e a capacidade de sonhar.

Nesta última quinta feira, dia 11, fui assistir, no teatro ACBEU, a montagem carioca de Dois Perdidos Numa Noite Suja, dirigida por Sílvio Guindane e interpretada pelos atores André Gonçalves e Freddy Ribeiro. A história reflete sobre a busca incansável do ser humano pelo poder e pelo ter em detrimento à busca pelo ser. Tonho deseja mudar de vida, e para isso, cobiça o sapato de Paco para, com este, poder estar mais apresentável e garantir uma boa ocupação e ganhar muito dinheiro. Que montagem bela!!! Os atores estão bem, sintonizados, mostrando a história com maior leveza, sem perder a verdade, o conteúdo crítico e reflexivo. André construiu o seu Paco com mais humor (o que poderia ser beeeeem perigoso), cheio de piadinhas, proposta totalmente comprada por Freddy, que construiu o seu Tonho sério, mas transitando, por vezes, pela linha pateta. É pra rir, se escandalizar, se escandalizar, depois ri novamente. Deles, dos outros e de nós, porque o Brasil, com os seus amores e dissabores, certamente, está ali, sem máscaras e com muita verdade.

Que bom ver um bom teatro!!! E viva a Plínio!!!
 
Crédito da Foto: divulgação.

Comentários ( )
RSS


 

Abram alas... é tempo dos intercâmbios...
Publicado às 15:33 em 15/9/2008

Neste último mês, estivemos recheados de atividades culturais e, felizmente, parece que isso não mudará nos próximos meses, para os amantes das Artes Cênicas na Bahia. No início do mês tivemos o Festival de Teatro Lusófono (teatro internacional sem tradução) – Módulo Salvador, que trouxe a cidade a Companhia Fórum de Moura (Portugal e Moçambique) e Grupo de Teatro de Pesquisa "Serpente" (Angola), apresentando espetáculos e oficinas no Espaço Xisto Bahia.

Tivemos também, no Teatro Vila Velha, o Seminário História do Teatro Baiano nas Décadas de 60, 70, 80 e 90, realizado pela A Outra Companhia de Teatro, com a realização de debates interessantíssimos com as participações de Jussilene Santana, Harildo Déda, Cleise Mendes, Antônio Godi, Hebe Alves, Fernando Marinho, Chica Carelli, Carmem Paternostro, dentre outros grandes nomes do teatro baiano.

Nos próximos dias 16, 24 e 30, às 15 horas, no Teatro Martim Gonçalves, teremos o Seminário As Faces de Nelson, com o objetivo de realizar uma abordagem crítica e reflexiva sobre a obra de Nelson Rodrigues. É um evento organizado pela atriz e diretora Hebe Alves (Doutora em Artes Cênicas) e tem a participação de diversos estudiosos da obra do dramaturgo. É gratuito.

De 24 a 31 de outubro, a Bahia sediará o I Festival Internacional de Artes Cênicas (FIAC – BA). Esse Festival promete trazer grupos internacionais e nacionais, além dos grupos locais, movimentando assim, diversos espaços cênicos de várias cidades baianas. Além de espetáculos teatrais, teremos também workshops, debates, shows musicais, exposições, mostras de vídeo e outras manifestações culturais. Imperdível!

Em dezembro parece que teremos de volta o saudoso Mercado Cultural (ainda a confirmar), evento que movimentava Salvador há alguns anos, com diversas atrações do mundo, de diversos seguimentos artísticos, no Teatro Castro Alves – Sala do Coro – Concha Acústica. . Até tivemos uma Mostra no início no ano, no TCA, mas "diz que..." ele voltará neste fim do ano, como nos velhos tempos. Tomara!

É, parece que Salvador, aos poucos, volta a efervescer as suas Artes Cênicas, tão tímidas nos últimos tempos. É bom ver os artistas tendo a possibilidade oficial de trocar experiências com outros artistas, de outros lugares e, isso, é quase impossível no nosso dia, dia, corrido, quando a nossa preocupação real é lutar pela sobrevivência. Teatro é muito. É transformação, é aprendizado, é renovação, é crítica, é entretenimento e também é troca. Troquemos então.

Comentários ( )
RSS


 

Em Cartaz: Festival de Teatro Lusófono
Publicado às 13:49 em 1/9/2008

O Festival de Teatro Lusófono ocorrerá de 01 a 04 de setembro de 2008, no Espaço Xisto Bahia, com espetáculos a preços populares, oficinas e debates gratuitos, reunindo países de língua portuguesa. O Módulo do Festival de Teatro Lusófono a se realizar no Espaço Xisto Bahia, de 1  a 4 de setembro é um braço do que está sendo realizado desde a última semana de agosto, no Piauí-Teresina, com a coordenação do piauiense Grupo Harém de Teatro.

O objetivo principal é proporcionar um intercâmbio  continuado e sistemático, através do desenvolvimento de um projeto de apresentações, oficinas e debates que apontem para a aproximação produtiva entre criadores, práticos, produtores e estudiosos das várias nacionalidades que utilizam o teatro de língua portuguesa de Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, Brasil e São Tomé e Príncipe.

Numa parceria entre o Governo do Estado do Piauí e do Governo do Estado da Bahia, através da Fundação Cultural, teremos apresentações de três espetáculos a preços populares, duas oficinas e um debate gratuito com a Companhia Teatro Fórum de Moura (Moçambique e Portugal) e Grupo de Teatro de Pesquisa “Serpente” (Angola).

Programação:
Dia 1 - 20 horas
Espetáculo Magia Negra – Teatro Forum de Moura – Moçambique/Portugal

É um karingana, um conto arrepiante, daqueles que se ouviam nos tempos em que os avós ainda contavam histórias à volta da fogueira. Magia negra é um mundo de feitiços e tabus, de sonhos e de pesadelos, de luz e de trevas, de contrastes e contradições, onde as forças do bem e do mal travam uma luta contínua. Enfim… Magia negra é um retrato antropológico da vida de uma das tribos mais poderosas do sul de África… os Ngunis.

Dia 2 e 3 – Das 09 as 12 horas
Oficina de teatro comunitário com a Companhia Teatro Fórum de Moura (Moçambique)

Dia 2 e 3 – Das 14 as 17 horas
Oficina de teatro interpretação e danças africanas realizada pelo Grupo de Teatro de Pesquisa "Serpente" (Angola)
PS: As inscrições para as Oficinas devem ser feitas no Espaço Xisto Bahia.
TEL: (71) 31176155 (Procurar Nayara)

Dia 4 – 19 horas
Espetáculo O Esqueleto do Cozinheiro Akli – Teatro Forum de Moura – Moçambique/Portugal
É uma das histórias que compõem os Generosos de Abdelkader Alloula, o principal dinamizador do teatro Argelino após a independência. Akli, o cozinheiro da escola, decide doar seu esqueleto para ser usado nas aulas de Ciências Naturais após a sua morte. Menuar, o porteiro da escola e melhor amigo Akli, torna-se o fiel depositário do esqueleto pra ensinar anatomia aos alunos. Mas a aula não será apenas sobre ossos...

Dia 4 – 21 horas
Espetáculo Nojo - Grupo de Teatro de Pesquisa “Serpente” – Kixingangu – Angola

Um estrangeiro, iraquiano, trabalhador ilegal, antes da saída para os vários bares onde trabalha vendendo flores  medita sobre a sua condição. Sobrevive ao seu presente, persegue o seu passado e prevê o seu futuro. Num jogo entre si e o seu espelho – o público. Jogo de medos e de revoltas, mas também de poesia e doces – amargas nostalgias. Ele previne-nos contra si mesmo e os seus semelhantes, ele é generoso e arrogante, amargo e afetivo. Ele joga ao dilema eterno do ser e do não – ser. Ele propõe-nos uma mútua projeção, lírica e pungente. Dos nossos temores mais arcaicos tornados vivos pela sua presença. Dos seus desejos e medos mais profundos personificados pela nossa branca pele e pela nossa “grande” civilização.

Comentários ( )
RSS


 

Um Labirinto Itinerante
Publicado às 12:00 em 22/8/2008

Quem não se lembra da história do Minotauro? Aquele ser metade homem, metade touro, que após o nascimento foi levado ao labirinto construído pelo inventor Dédalo? Minotauro é filho da paixão doentia da Rainha Pasífae por um touro branco, presente enviado ao Rei Minos. Em sua "prisão" esse ser monstruoso devorava rapazes e moças que eram enviados, a cada nove anos, pelos atenienses. Quando iria acontecer a terceira oferenda, Teseu se ofereceu para ir e, guiado por um fio, dado por Ariadne, filha de Minos, entrou no Labirinto e matou o homem-bicho.

Há poucos dias estreou "Labirintos", o novo espetáculo da Companhia Vilavox - grupo residente do Teatro Vila Velha - que apresenta exatamente uma versão itinerante do mito de Teseu, do Minotauro, de Parsífae (mãe do Minotauro) e de Dédalo (inventor do Labirinto) e, seu filho, Ícaro, que voa, se apaixona pelo sol e vai encontrá-lo. Na encenação, o espectador tem a oportunidade de viver a história passeando pelas dependências do Teatro Vila Velha. O espetáculo começa no pátio do teatro, segue para o Passeio Público, entra pelo Cabaré (o espectador que consegue sentar à mesa tem uma grata e quente surpresa), passando por corredores, escadas (Lembram de monga, a macaca? Ou da Casa dos horrores? Eu me lembrei, quando passei perto de uma porta em que o monstro batia tentando sair), terminando no próprio teatro.

Gostei de "Labirintos". Principalmente, por ser simples sem ser simplório. Quantas vezes não já vimos espetáculos interativos, ritualísticos e pretensiosos? Principalmente os com inspirações na Grécia? É um pátio, um monte de gente seminua, sem força (ou com mais força do que a necessária), muitas caras, muitas bocas, sandálias de dedo, gritos, vinho, Baco pra cá, Baco pra lá... Felizmente, "Labirintos" realiza tudo isso, de forma verdadeira, valorizando os espaços, as imagens, os sons (tirados de canos, pedaços de madeiras, de tudo), as palavras e, por fim, os atores. Tudo casado e preciso.

Fiquei feliz e surpresa com algumas interpretações, boas, sem ansiedades, sem aquela história "agora estamos fazendo essa imagem, viu espectador?" (mostrando mais do que vivendo). Cada um, guiado por um fio. O de Téspis, o do Teatro Vila Velha, comemorando 44 anos de existência, o da Companhia Vila Vox, crescendo a cada espetáculo, o de nós, espectadores, brindados com um trabalho bom. Recomendo. Como estudo, como aprendizado, como exemplo do velho ditado inglês, tão repetido pelo mestre Harildo Déda: "less is more".  Até 31 de agosto, às 20 horas.

Fotos: Carol Garcia

Comentários ( )
RSS


 

A Farsa, a Boa Preguiça e a Boa Formatura
Publicado às 10:31 em 12/8/2008

Adoro os espetáculos de formatura dirigidos por Harildo Déda! Já é comum irmos à Escola de Teatro ver uma peça clássica, com o cenário e a iluminação de Eduardo Tudella e a duração de, no mínimo, duas horas. Quando me formei, Fernanda Paquelet, uma grande amiga, atriz, diretora, iluminadora e muitas outras boas aptidões, disse que faria a última disciplina com ele, porque sabia que era a oportunidade de poder descer escadas, com vestido longo e dizer "ai de mim". Na verdade, o que ela queria dizer é queria se formar com algo simples e, ao mesmo tempo, grandioso. E Harildo é bem isso. Um senhor simples, por trás de um rosto sisudo e tímido, com o poder de transformar interpretações verdes em, pelo menos, seguras e dignas. E quem não quer se formar e poder dizer: Muito prazer! Estou pronto (a)! O meu espetáculo de formatura foi o texto inglês O Tempo e Os Conways e, com ele, pude, sim, descer escadas, usar vestido longo e dizer o que queria dizer. E sem crises e sem sofrimentos.

Recentemente, estreou no Teatro Martim Gonçalves, A Farsa da Boa Preguiça, texto de Ariano Suassuna e com a direção de Harildo. Este espetáculo marca a formatura de uma nova turma de bacharéis em Interpretação Teatral da Escola de Teatro da UFBA. A peça não faz parte dos clássicos tão presentes no currículo do Mestre, mas as escadas e o "Muito prazer! Estou pronto (a)!" estão lá, dando o seu recado. Fiquei surpresa com a boa interpretação dos atores. Não por julgá-los incapazes (até porque sei que, independente de qualquer coisa, Harildo tem o poder fazer milagres, quem já foi aluno dele entende bem isso), mas porque, ultimamente, nos espetáculos didáticos dificilmente vejo uma quase uniformidade na interpretação. Estão quase todos muito bem, brincando com os tipos, com as situações, com críticas, mas sem se criticar, sem pedir desculpas. É lógico que temos os nossos preferidos, mas não consegui não acreditar em ninguém.

A peça é formada por personagens cômicos e estereotipados e conta a história de Joaquim Simão, um poeta popular, e Nevinha, sua esposa, que são alvos do assédio de um casal rico, Aderaldo e Clarabela. Aderaldo quer a qualquer custo, conquistar Nevinha e Clarabela sonha com Simão. Para isso, contam com a ajuda de Andresa, uma diaba disfarçada de mulher. Simão é seduzido por Clarabela, mas Nevinha mantém-se fiel a ele e sem saber da infidelidade do marido, tenta fazê-lo trabalhar, para que consigam sair da miséria. Mas ele prefere continuar a viver de poesia e de ócio. Ainda na trama, Aderaldo perde toda sua fortuna para Fedegoso, o Cão Caolho disfarçado de gente, mas consegue ficar rico novamente. Ele ainda consegue fazer uma aposta com Simão em troca de Nevinha ou de muito dinheiro. Simão enriquece, mas consegue perder tudo. Na história ainda existem São Pedro, Miguel Arcanjo e Manuel Carpinteiro, os protetores do atrapalhados personagens, que tentam protegê-los e testá-los. 

O único senão é o tempo de duração (duas horas e dez) para um teatro com a temperatura tão fria por conta do ar condicionado, mas todos nós sabemos que os espetáculos de formatura são grandes mesmo e todos brilham. Mesmo. Estejamos preparados então. Para a duração e para o frio. Uma ida a um bom espetáculo vale o sacrifício. Eu gostei, mesmo não podendo ficar até o final, mas voltarei na próxima semana.

Comentários ( )
RSS


 
1 de 4

 


Patrícia Rammos é atriz, Bacharel em Interpretação Teatral pela Escola de Teatro, Universidade Federal da Bahia, desde 2001. No Teatro, atuou nos espetáculos Pedro e a cobra-de-fogo, Ora, Bolas, Irmã Dulce, Cinderela Black Power entre outras produções.

No cinema, atuou nos curtas “O Homem Mais Insuportável do Mundo”, “Uma Canção” e “Negros em Movimento”. Atuou na TV e no Rádio como apresentadora em diversos eventos e programas.Apresentou o Projeto Música no Porto, esteve na Produção Executiva de Policarpo Quaresma e atualmente está em cartaz com o espetáculo Pedro e a cobra-de-fogo.
 

 

 









© Copyright 2008 - ITAPOAN ON LINE - Todos os direitos reservados.