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Ninguém mais vai ser bonzinho?
Publicado às 11:00 em 3/6/2009

Em tempos de duelo entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, Ninguém mais vai ser bonzinho. Será?! Este é o nome da comédia carioca, com toques de suspense policial, que chegou à Salvador, para apresentações quatro únicas apresentações.


O espetáculo foi inspirado no livro “Ninguém mais vai ser bonzinho, na sociedade inclusiva”, de autoria de Claudia Werneck (jornalista e fundadora da ONG Escola de Gente - Comunicação em Inclusão), orientado pelo dramaturgo Bosco Brasil (autor do texto Budro), escrito e dirigido por Diego Molina e interpretado pelo grupo Os Inclusos e os Sisos - Teatro de Mobilização pela Diversidade, formado por Natália Simonete e Talita Werneck, Victor Albuquerque, Marcos Nauer e Fábio Nunes, todos reconhecidos profissionais de teatro.

Ninguém mais vai ser bonzinho, fala sobre inclusão com doses de humor e suspense, fazendo as pessoas pensarem sobre as diferenças e as desigualdades, sem nenhum tipo de panfletagem, contando com acessibilidade na comunicação (auto-descrição das cenas, programa em braile, intérprete de libras e legenda eletrônica).

Nada mais oportuno do que falar sobre esse tema aqui na Bahia, Estado que tem tentado reagir com luta, informação e arte a todo e qualquer tipo de discriminação e preconceito. Por ser uma obra que visa a igualdade e a inclusão acima de tudo, as apresentações serão realizadas em dois espaços distintos e de suma importância para esse tipo de abordagem: o Teatro de Pano – Escola Via Magia, instituição conhecida pela preocupação com o desenvolvido do indivíduo e uma das responsáveis pelo conhecido Mercado Cultural e o Centro Cultural Plataforma, localizado num bairro da periferia de Salvador, que prioriza espetáculos de cunho social. Sem dúvida, um intercâmbio imperdível!!!
 

O espetáculo é gratuito e conta com a seguinte programação:
- Dia 2 de junho, às 19 horas – Teatro de Pano – Escola Via Magia.
- Dia 3 de junho, às 20 horas – Centro Cultural Plataforma.
- Dia 4 de junho, as 15 e às 20 horas – Centro Cultural Plataforma.

 

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Negros em movimento
Publicado às 08:17 em 27/5/2009

No último dia 13 de maio foi comemorado do dia da Abolição da Escravatura. Confesso me recusar a fazer parte de qualquer movimento negro. Apesar de respeitar e entender algumas mobilizações, a minha maior necessidade é ser uma negra em movimento. Não curto muito essa história de eterno “complexo de senzala”. Amo minha etnia, mas me recuso, em pleno século XXI, a ter que ficar provando isso ou aquilo para quem quer que seja. Eu sou o que sou e ponto. Não existe outra opção. Ou nos aceitam ou nos aceitam. Caso contrário, arquem com as conseqüencias.

Infelizmente, nós, negros, muitas vezes, ainda nos vemos obrigados a ter gritar pelo nosso espaço. É algo inadmissível, mas muitos, por outro lado, ao invés de chorar, de espernear, de bater, de agredir... colocam suas dores e revoltas no palco, transformando o que seria, para muitos, chiliques e ressentimentos em arte.É mais ou menos essa a proposta de Negreiros, monólogo do ator, diretor e autor, Leandro Rocha, que estreou no dia 7 de maio e estará em cartaz até i dia 13 de junho, de quinta a sábado, às 20 horas, no Espaço Cultural Casa da Música, Parque Metropolitano do Abaeté, em Itapuã.

O espetáculo, que mescla cinema e teatro como recursos cênicos, baseado nas obras de Castro Alves, questiona o mito da democracia racial, através de Piroco, um personagem cego, que se tranca num quarto e aborda a existência ou não da escravidão mental. O que seria mesmo essa tal de escravidão nos dias de hoje?

A Companhia de Teatro Cidadão de Papel está em sua sexta montagem e durante a sua existência abordou basicamente temas de cunho social, mobilizando o público para tomada de decisões e posições. O grupo Oficina Cênica (A dengue Dengosa, Sem Noção, dentre outros.) desenvolveu o figurino, a maquiagem é de Marie Thauront (Seu Bonfim, Policarpo Quaresma, Comédia do Fim, dentre outros.), a preparação corporal, assistência de direção e iluminação é de Marcos Oliveira (Espetáculos O Cidadão de Papel, Trama dos Arteiros, Sem Noção, dentre outros.) e a trilha sonora é de Leandro Rocha (As Troxâs, Fome, Sem Noção, dentre outros.).

Com certeza é um espetáculo que merece ser prestigiado por negros, brancos, cidadãos, seres humanos... O ingresso é 1 Kg de alimento não perecível - Os alimentos arrecadados serão doados para o Grupo Assistencial Vida e Saúde(GAVS).

 

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Será o fim?
Publicado às 10:00 em 4/5/2009

No ultimo dia 14 de abril, as luzes do Teatro Castro Alves se acenderam para o Prêmio Braskem de Teatro, que contemplou os melhores profissionais da área em 2008. Muitos afirmaram que a cerimônia teve pouco brilho, mas, na verdade, ela já está fosca há algum tempo. Inclusive, já tem um tempo que ouvimos o papo de que o prêmio não mais acontecerá, principalmente, pelo pouco prestígio que a empresa vem sentindo da classe teatral baiana.

Creio que, como incansável pensador, faz parte da essência do artista contemporâneo sobreviver de questões. Esse retrato foi visto em muitos dos que subiram ao pouco para receber e entregar os prêmios. Todos aproveitaram o espaço para questionar e fazer protestos. Não que isso esteja errado, pelo contrário. Temos que aproveitar esse encontro, tão raro, onde tiramos nossos melhores figurinos do armário e desfilamos para colegas e amigos que comungam das mesmas dores e sabores. A questão é como e por quê. É um desabafo? É uma convocação? É uma comemoração? É uma constatação? O que é essa enxurrada de coisas ditas em cima daquele palco?

As premiações? É claro que a gente gosta de algumas, não concorda com outras, mas não podemos esquecer que é só a opinião de sete pessoas. De certo, o Prêmio Braskem de Teatro é o reflexo do teatro baiano atualmente, que agoniza, mas insiste e ainda anda. A gente ama, odeia, quer, não quer... A diferença é que, querendo ou não, o teatro vai continuar ali, existindo, enquanto o prêmio pode acabar mesmo e a gente certamente vai sentir falta. Principalmente, porque apesar de todos os seus muuuuuitos defeitos, é o único que temos. E de certo é um evento que merece o nosso respeito e o nosso prestígio. Por isso, convoco a classe artística a lutar por ele. Não como objeto de mendigagem e, sim, de reconhecimento.


Eis os grandes contemplados de 2008:

Categoria Especial (Fábio Espírito Santo), Revelação (Rodrigo Frota), Melhor Espetáculo Infantil (Os Prequetéis), Melhor Texto (Dinah Pereira), Melhor Atriz (Cláudia di Moura), Melhor Atriz Coadjuvante (Elaine Cardim), Melhor Ator (Urias Lima), Melhor Ator Coadjuvante (Armindo Bião), Melhor Direção (Luiz Marfuz) e Melhor Espetáculo (Policarpo Quaresma).

Eu, particularmente, esperava que Hilton Cobra ganhasse como Melhor Ator. Não porque Urias não merecesse e, sim, porque Cobrinha foi espetáculo em sua leitura do grande herói nacionalista, retirado do livro de Lima Barreto. Ele era a alma de Policarpo e conseguiu transformar aquele nacionalista, às vezes chato, num guerreiro divertido e admirável. Sem querer também desmerecer os outros atores do espetáculo. Pelo contrário. Mas Hilton Cobra era O CARA da montagem do Núcleo do TCA.

Outro ponto forte, para mim, foi a premiação do multifacetado artista cearense, Rodrigo Frota, que além de ator, é aderecista, cenográfo... No ano passado, ele foi responsável pelos brilhantes cenários de Salomé, Atire a Primeira Pedra e o já festejado Policarpo Quaresma. Rodrigo é sem dúvida um dos artistas mais brilhantes de sua geração. Por tudo. Pelo talento, pela responsabilidade, pelo comprometimento e, principalmente, pelo amor pleno e visível que tem pelo que faz. Ele é um exemplo e eu sou fã.

Bom, agora passado mais esse momento de comemorações, nos resta brigar, esperar e torcer pela Edição que contemplará os Melhores de 2009.

 

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ENTREVISTA COM MÁRCIA CASTRO
Publicado às 14:32 em 31/3/2009

Márcia Castro é do tipo de pessoa que vai chegando devagar, paciente, com alegria e, principalmente, talento. As coisas foram acontecendo de forma tranqüila e definitiva. Ela, sem dúvidas, é uma das jovens cantoras que mais prometem atualmente. E tudo sem pressa e sem afobação.

Aos 30 anos de idade, viu Queda, uma das canções de Pecadinho, seu primeiro CD, torna-se uma das canções da trilha sonora da novela Ciranda de Pedra, da Rede Globo, já cantou com Tom Zé e Mercedes Sosa. Quer mais? Ela também quer. E promete muitas novidades.
 
Vocês devem estar perguntando "o que uma cantora faz numa coluna sobre teatro?". É com experiência em teatro (Marcia já cantou na Aerotrupe e já participou de grupo de teatro), o seu show tem elementos cênicos e suas músicas possuem traços de dramaturgia. Ela arrisca e inova, com humor, encenação e leveza. Vamos lá?

PATRÍCIA RAMMOS: Quando você se descobriu cantora? Como começou sua carreira?
Primeiro aprendi a tocar violão aos 11 anos. Era tímida, não conseguia cantar. Mas depois, nas rodas de violão com amigos da escola e do lugar onde morava, comecei a arriscar canções e achar muito interessante, prazeroso a possibilidade do canto. Aos 16 anos já tocava em bares da cidade, coisa que fiz até os 23 anos, quando decidi me dedicar a uma carreira autoral.

PR: Qual é o estilo de música que você gosta de interpretar? Em que modalidade musical você se enquadraria?
Não existe um estilo de música que eu gosto de interpretar. Eu gosto da canção, independente de qualquer categorização. Passeando por vários universos musicais, vou me descobrindo e revelando coisas da própria música. Desse mesmo modo, não me vejo dentro de uma modalidade. Apenas canto.

PR: Em um ano você estourou em São Paulo e, aos poucos, está sendo reconhecida nos outros estados brasileiros... Como está sendo essa experiência? A que você deve esse boom?
Esse é um momento especial em minha vida. O trabalho começa a sair das fronteiras baianas e a ganhar dimensão nacional com o reconhecimento de pessoas sérias, as quais admiro muito. Ao mesmo tempo, tenho muito para caminhar, pois nada para, pelo contrário, os compromissos se intensificam, a responsabilidade fica maior, o próprio trabalho amadurece e novas formas de fazer vão se mostrando. Tem sido uma experiência rica sair do colo da mãe Bahia e me aventurar pelo mundo. As novas pessoas que cruzam o meu caminho, as novas paisagens, tudo isso alimenta o processo criativo. Sou toda gratidão.

PR: Dizem que a Bahia está na moda, você concorda? Por quê? Como você ver os artistas baianos no mercado cultural baiano e brasileiro?
A Bahia, com todas suas lendas, mitos, ritos, sempre despertou a curiosidade de todo mundo. Geralmente, as pessoas entendem o nosso estado como uma terra mágica, especial. Muitas pessoas que encontro pelas bandas de cá tem aquele sonho de morar na Bahia. Nosso povo é generoso, amoroso, sensível, inusitado, isso tudo caminha para o fazer artístico. Temos muita gente fazendo coisa interessante. Na música, por exemplo, pessoas como Cláudia Cunha, Mariella Santiago, Manuela Rodrigues, Ronei Jorge, Retrofoguetes, Cascadura, Roque Ferreira, Luciano Bahia, muitos que não seria possível citar aqui.  Porém, persiste o velho problema de circulação, de produção, de público, uma cadeia que não se sabe onde começa. Mas depois dos últimos dois anos, consigo visualizar uma nova fronte, o espaço, lentamente, tem ficado mais democrático, os artistas, por sua vez, estão abandonando a posição de "desprotegidos" e correndo atrás do prejuízo, sendo criativos para tocar o trabalho. Sinto o coletivo voltando e revelando uma força que temos guardada para dar a volta por cima.

PR: Em sua opinião, qual é a diferença entre a cultura vivida no Sul do país e a cultura vivida no Nordeste? Quais os prós e contras dos dois pólos?
O sul tem mais dinheiro, acho que esse é um ponto crucial para se pensar em produção de cultura. Para criar ninguém precisa de dinheiro, mas para fazer sua arte visível são outros mecanismos. Além disso, fatores midiáticos colocam o Sudeste, principalmente, como o grande difusor de cultura do país. Por isso, vemos mais produção aqui no sudeste. Falo de circulação, não de qualidade, pois em ambos os circuitos podemos encontrar trabalhos maravilhosos de artistas também incríveis.

PR: Você já é uma cantora respeitada no mercado, existe algum segredo para ser uma boa cantora?Acredito que o segredo para ser bom seja lá no que for é estar apaixonado, envolvido e concentrado. O resto vem daí.

PR: Como surgiu a oportunidade de cantar com Mercedes Sosa?Quais projetos vocês fizeram juntas?Encontrei com Mercedes Sosa em Roma, no dia do seu aniversário, através de um grande amigo e produtor, num importante teatro da cidade onde ela faria um show a noite. Depois da passagem de som, ela me convidou para cantarmos juntas Insensatez. Fiquei emocionada e assustada, mas, claro, aceitei. Depois disso, foram 11 shows pelo mundo, incluindo Berlim, Hamburgo, Tel Aviv e várias cidades do Brasil, sendo que a última foi Salvador, boa coincidência. Mercedes é uma diva na música e na vida. Um dos corações mais generosos que o meu já cruzou. Sou grata eternamente pelo convite!

PR: E Tom Zé? Como surgiu a oportunidade de cantar com Tom Zé?
Logo depois de lançar o Pecadinho, mandei um CD para Tom Zé, pois ele e Tuzé de Abreu são autores do Frevo (Pecadinho), que intitula o disco. Dias depois ele me ligou, parabenizando o trabalho, dando dicas, eufórico. Vi que havia uma pessoa que me queria bem, que acreditava. Cheguei em São Paulo e o procurei, sempre tendo respostas muito carinhosas, dele e de Dona Neusa, sua esposa. Convidei-o, mais tarde, para participar do vídeo-clipe do Frevo dirigido por Marcondes Dourado. Ele topou e foi uma experiência interessantíssima. Meses depois, fazendo minha primeira temporada do Pecadinho em São Paulo, uma grande jornalista musical chamada Patrícia Palumbo apareceu no show. Ela estava fazendo a seleção das cantoras para o próximo CD de Tom Zé, que iria gravar um trabalho só com intérpretes femininas. Coincidentemente, uma canção estava sem dona. Ela, no dia após o show, disse ter encontrado a pessoa perfeita para cantar a música "Filho do Pato". Os acasos da vida colocaram-me, mais uma vez, perto de Tom Zé. Então, foi uma grande alegria para ambos.

PR: O que a levou a permanecer em São Paulo?
O que me levou a permanecer em São Paulo foi a possibilidade de trabalhar de um modo mais digno, menos desesperado, com a esperança de viver tranquilamente de minha arte. Hoje, posso dizer que gosto muito da cidade, tenho prazer de estar ali, como tenho prazer de voltar para a Bahia. É bom se deslocar, areja o pensamento.

PR: Quais as indicações e os prêmios que recebeu?
Na Bahia, conquistei o Troféu Caymmi em 2004, categoria de cantora revelação. Em 2006, conquistei o Prêmio Braskem Cultura e Arte, que possibilitou a gravação do CD Pecadinho. Com o Pecadinho, fui indicada ao Prêmio Tim, em 2008, como melhor cantora pop-rock, concorrendo com Vanessa da Mata e Fernanda Takai. Nesse mesmo ano, fui indicada ao Prêmio Quem de música.
 

PR: Como é o seu processo de criação? Quais são os mitos e verdades sobre a voz?
Meu processo criativo acontece através das experiências que vou tendo na vida, do que vou lendo, assistindo, ouvindo. Em algum momento, a gente condensa isso num trabalho artístico. Técnica não é tudo, é preciso criar abertura para conexões criativas. Para isso não existe fórmula, é o que cada um traz em si. Cuido da minha voz bebendo muita água e dormindo bem. Se consigo isso, tudo fica tranquilo.

PR: Com quem você gostaria de trabalhar e ainda não trabalhou?
Com muita gente. Arto Lindsay é uma dessas pessoas.

PR: Com que você adorou trabalhar e gostaria de repetir a dose?
Luciano Salvador Bahia é um cara com o qual sempre adoro repetir a dose.

PR: Você saberia dizer qual foi o momento mais importante da sua carreira? Em algum momento teve vontade de largar a carreira artística?
Tive momentos emocionantes. Cantar com Mercedes Sosa em Roma foi um desses. Já pensei em abandonar a carreira artística várias vezes, mas no fundo a gente sabe que é impossível, pois seria um suicídio inconsciente e lento. A arte não é só um modo de se expressar, ou de viver, é quase que uma salvação...

PR: Você acha que um cantor precisa ter posição política? Por quê?
Acho que todo mundo precisa ter uma atitude política.

PR: Vivemos em um mundo cheio de injustiça, violência, corrupção, trafico de drogas... Diante disso, você acredita que sonhar e tentar achar uma solução é uma utopia?
Sonho não é utopia, sonho é uma necessidade para atirar-se em algo. Já achar uma solução é algo que não penso como finalidade. Eu sonho e vivo, tendo achar coisas...

PR: Ônibus, carro ou avião?
Depende para quê. (risos)

PR: O Brasil de hoje tem um grande projeto?
Desde que me entendo gente, ou através dos livros da escola, o que se dizia é que o Brasil sempre teve um grande projeto para ser aquele velho país do futuro... quem sabe?! Temos potencial para tudo.

PR: O ego, normalmente, "caminha" lado a lado com a profissão de cantor. Como lida com ele?
Perdendo, pensando e fazendo alguma atividade física... (risos).

PR: Quais os seus planos para o futuro?
Na carreira, continuar divulgando o Pecadinho pelo país e pensar no próximo trabalho... Na vida, são muitos desejos e poucos planos. Estou deixando o barco me levar, sempre dando uma checada na maré.



MÁRCIA CASTRO

Momento Fútil e Útil: Fazer a unha. O violão agradece.
Nome Completo: Marcia Guimaraes Caminha de Castro.
Data, local e hora de nascimento: 07 de dezembro de 1978, as 09:55h.
Idade: 30 anos.
Signo: Sagitário.
Traço marcante da sua personalidade: Insistência.
Vício: Amor.
Truque da boa forma: Estou a procura.
Drink: Em dias felizes.
Perfume: O cheiro da pele.
Figurino: Confortável, sem salto.
Viagem dos sonhos: Moreré, Bahia. Tão pertinho...
O que não pode faltar na bolsa: RG e um dinheirinho para uma água de côco.
O que não pode faltar na geladeira: Água e fruta.
Time: Bahia.
Melhor roupa para dormir: Depende...
Site favorito: Os blogs para download de obras raras.
Tecnologia: Apple.
Livro: Leio agora Manuelzão e Miguilim, Guimarães Rosa.
Email: contato@marciacastro.com.br
Frase: "A arte não é a imitação da vida. A vida é que é a imitação de alguma coisa transcendental com que a arte nos põe em contato", Artaud. 

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Atire a Primeira Pedra...
Publicado às 12:07 em 24/3/2009

Não foram injustas as indicações ao Prêmio Braskem de Teatro, concedidas ao espetáculo de formatura de mais uma turma da Escola de Teatro – UFBA, dirigida por Luiz Marfuz, baseado em contos de Nelson Rodrigues. A encenação levou as indicações de Melhor Espetáculo, Categoria Especial Luciano Salvador Bahia (direção musical e trilha sonora) e Revelação – Rodrigo Frota (cenário) e Milena Flick (atriz)

O Grupo Os Cinquentões, como se denominam os novos atores formados, tem a seu favor a dedicação, o talento e o imenso profissionalismo. Todos estão bem, o que é raro em resultado de curso, onde na maioria das vezes, uns mostram-se mais preparados do que os outros. Como é bom ver no mercado uma turma empolgada e otimista. Todo mundo sabe como é difícil atuar e produzir num mesmo espetáculo e isso é algo comum em todos os espetáculos de formatura. Felizmente, muitos conseguem fazer tudo isso bem. É o caso de Os Cinquentões, que parecem extremamente preparados para os percalços que esta profissão nos proporciona. Eles cantam, dançam e interpretam. Quem não quer se formar assim?

Outra coisa é ter Nelson Rodrigues como inspiração e Cleise Mendes, que adaptou com Fernando Santana, um dos atores, alguns contos de Nelson. Sou suspeita para falar desse “anjo pornográfico”, pois o considero um dos melhores dramaturgos do mundo. Um homem que soube transformar todos os seus “monstrinhos” em textos e, consequentemente, em arte. Cada personagem, cada réplica, cada rubrica, comunica e permite que viajemos por um mundo instigante e revelador.

Associar tudo isso à Marfuz, ao talentosíssimo músico, Luciano Salvador Bahia, inspiradíssimo na escolha da trilha com elementos bregas e, por fim, ao maravilhoso e completo artista da nova geração, Rodrigo Frota, com o seu cenário preciso e, funcional, foi um bom motivo para mais uma ida ao teatro. Atire a Primeira Pedra é motivo de orgulho e merece, sim, muitos prêmios. Senão os oficiais, os da vida. Uma vida longa!!!

Em cartaz até 27/03 no espaço Xisto Bahia, sempre às 20 horas.

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Vamos comemorar?
Publicado às 12:04 em 24/3/2009

Janeiro já passou, fevereiro acabou de partir, nos despedimos do carnaval... O verão continua, mas, aos poucos, parece que, finalmente, as pessoas começam a pensar em 2009. O ano finalmente chegou para o povo brasileiro, o semestre finalmente recomeça para a cultura baiana. Primeiro, foram as indicações ao Prêmio Braskem de Teatro (estava rolando uma conversa de que não teria este ano), depois, o resultado do Edital de Circulação Cultural da FUNCEB e, agora, Março chega carregado de novas esperanças, de novas expectativas e desejos de realizações. Para o teatro este é o mês de celebrações. Vamos comemorar o Dia Nacional do Teatro para a Infância e Juventude (UNESCO) - dia 20; O Dia Internacional de Teatro de Bonecos - Dia 21 e o Dia Mundial do Teatro e Nacional do Circo - Dia 27.

Há muito o que se festejar e, como não queremos que estes festejos passem em branco, os artistas baianos planejam várias ações, que vão desde um Cortejo Performático, formado pelos artistas de teatro de rua, até a realização de espetáculos a preços populares, em vários teatros do Estado.

Além dos já conhecidos artistas de teatro de rua, de várias localidades da Bahia, também farão parte do Cortejo, artistas do Circo Picolino e os atores-palhaços. Será um mês cheio de atividades e novidades. Uma delas, inclusive, é a criação do Curso Profissionalizante de Palhaço que acaba de ser criado pela Sitorne, onde quem ingressar, poderá, ao final, torna-se um profissional da área, com o apoio total do Sated. Este, inclusive, junto com a Fundação Cultural, é um dos organizadores dessa grande festa no mês do teatro.

Apesar de achar que está cada vez mais complicado abraçar a arte teatral como única opção de profissão, continuo considerando-a, sem dúvida uma das artes mais reveladoras e transformadoras que temos e, também por esta razão, há sempre motivo para comemorarmos. É prestigiando-a em suas diversas formas de manifestação que a tornaremos cada vez mais legítima e necessária na formação de todo e qualquer indivíduo.

Viva Março!!! Viva o Teatro!!! Viva Baco!!!

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Entrevista com Gil Vicente Tavares
Publicado às 14:00 em 14/1/2009

Gil Vicente é, sem dúvida, um dos profissionais mais talentosos e engajados de sua geração. Ele já dirigiu nomes como Harildo Déda e Yumara Rodrigues, escreveu em parceria com outras pessoas o espetáculo teatral Vixe Maria, Deus e o Diabo na Bahia e o filme Cidade Baixa, compôs canções para grandes nomes da MPB... dentre outras milhares de coisas realizadas por um ainda jovem, inteligente, provocador e corajoso artista. Aqui, nesta entrevista, ele mostra que, apesar de todas adversidades da carreira, é possível, sim, viver de arte e com brilho... SEMPRE. Com certeza, uma ótima maneira de começarmos o ano.
 
Feliz ano novo, minha gente!!! Tenho plena certeza de que "o melhor vai começar"!!!
 
 
Como e quando começou a sua carreira?
Minha mãe estava trabalhando no figurino de um espetáculo infantil, O condomínio da floresta encantada, lá pelos idos de 1981, no Rio. Eu tinha 4 anos de idade e fiz minha estréia como ator no papel de uma onça. Daí, fiz uma oficina com Balu Carvalho, preparadora de elenco infantil, e algumas figurações na Globo no Sítio do Pipa-Pau Amarelo, etc.

Depois, a música me tomou e só fui retomar o teatro em 1993, numa oficina do Solar Boa Vista com Airesa, um professor de teatro. Dois anos depois eu faria vestibular pra Escola de Teatro, entrando em 1995 e não saindo mais dessa profissão.
 


Você já participou de algum grupo? Como você enxerga o teatro realizado por grupos atualmente? E quais artistas e/ou grupos você destacaria pelo potencial e pela profissionalização?

Salvador é carente de grupos. Principalmente quando vemos a estrutura de grupos fora daqui, sua organização, repertório, reciclagem. Mas o Bando de teatro Olodum merece o devido destaque, e isso acabou incentivando a criação e retomada de grupos, no Teatro Vila Velha, espaço que se tornou um teatro de grupos, praticamente, mesmo que sua maioria ainda não estruturada de forma coesa com uma estética e um repertório de peso. Há o Dimenti, Os Argonautas, que estão parados em função do desmembramento territorial de seu elenco, e alguns outros que não vou lembrar. Mas, num contexto geral, o quadro ainda é desanimador, falta mais pesquisa, continuidade, bem como diálogo com a cidade, que geralmente dá as costas ao teatro produzido aqui em Salvador. Bem como não há incentivo dos poderes públicos para que os grupos "se virem" dentro do nosso contexto.

É bom lembrar que tenho um grupo, também, que já vai fazer 3 anos. O Teatro NU. Mas que é também ainda incipiente dentro de uma realidade maior que poderia ter na cidade.

 
Cada montagem de um espetáculo é uma história. Existe algum fato curioso que marcou sua carreira? 
 
Dois fatos seguidos que marcaram minha carreira foram eu ter dirigido os dois maiores atores da Bahia logo no início da minha carreira. Dirigi Harildo Déda em Quartett, meu espetáculo de formatura que teve carreira profissional, e logo depois Yumara Rodrigues, na comemoração de seus 40 anos de carreira. Fui "batizado" muito cedo, e isso redimensionou minha visão, pois foi um aprendizado – aliás, até hoje aprendo muito com os atores e criadores com quem trabalho. Sinto-me fazendo especializações na área a cada novo profissional experiente que chamo pra trabalhar comigo. Isso é fundamental pro artista. 

 
O que você acha da atual política cultural baiana?
 
Em poucas palavras, penso que esse assistencialismo que o PT disseminou para a área da cultura, no âmbito estadual, com a bandeira da democratização e interiorização, acabou desestruturando o profissionalismo e estruturas antigas que caminhavam para um futuro promissor, e que agora gera uma desilusão e um desestímulo nos profissionais que vêem uma forte amadorização das estéticas, das estruturas e da mentalidade do fazer teatral – e deixo claro aqui que falo pela minha área, principalmente. No âmbito municipal, é bem pior. É tão absolutamente nada o que se faz, que nem há a chance de estragar ou melhorar, pois não se multiplica nem se subtrai do zero.

 
O que você acha falta ao teatro e aos artistas atuais para atingirem a perfeição? Como você acha que, nós, artistas, deveríamos agir para tornar a nossa realidade mais justa?
 
Pra o artista chegar à perfeição ele tem que morrer e achar um bando de críticos que resolvam elegê-lo como perfeito. É a única chance.

Acima de tudo, é preciso união. A classe teatral de Salvador fica pelos cantos falando mal cada uma das outras panelas, não interagem, e não dialogam. Todas as reuniões que marcamos são vazias, e se não houver união, estamos fadados a não ter voz nem força enquanto classe. E aí, é o salve-se quem puder. Fico triste com isso. Não se discute coisas efetivas, não se faz uma crítica contundente, objetiva e com nomes fortes, sobre as gestões do Município e do Estado.


 
Você é diretor e dramaturgo... também toca violão e compõe canções, como essa habilidade surgiu em sua vida e o que prefere fazer? É um hobby ou mais uma possibilidade?
 
Tenho mais prêmios – que não significam absolutamente nada – em música do que em teatro. É só uma curiosidade. Sou compositor antes de ser dramaturgo. E poeta antes de ser compositor. Pratico todas as "funções", e muitas vezes sinto-me mais recompensado e realizado na música, talvez pela Bahia ser tão musical, as pessoas se relacionarem muito mais com a música do que com o teatro. Entre meus pares, o reconhecimento talvez seja maior entre músicos do que entre artistas de teatro. Mas tudo isso são só suposições, pois realizei muito mais coisas e fui muito mais longe com o teatro do que com a música, indo à Europa, fazendo cinema, etc. 



Como é o seu processo de criação? Apesar da experiência, você já sentiu dificuldade de compor algum espetáculo?
 
Geralmente escolho montar algo que já me veio como imagem e idéia na cabeça. Escolho uma peça pelo que ela diz e como ela diz. Relaciono-me com isso e isso facilita minha vida. Mas o teatro é uma arte coletiva, onde tenho que lidar com os defeitos e problemas dos outros e eles com os meus. A dificuldade é equalizar tudo isso para uma harmonia da realização final.

Gosto muito do trabalho de mesa, de descobrir nas palavras a ação, as marcações, o cenário, o figurino, enfim, se o texto é bom, está tudo lá. Mas a depender na peça, o processo difere. Como diz um dos meus mestres, Ewald Hackler, cada peça é um cofre que temos que abrir. Um é através do segredo, outro, jogando pela janela, outro com maçarico, outro com uma bomba. Enfim, pra cada texto há um processo diferente, que muitas vezes você só sente na sala de ensaio.

 
Com quem você gostaria de trabalhar e ainda não trabalhou?
Nessa lista caberiam uns 3.978.457 nomes. É preferível que eu não responda.

 
Qual foi o espetáculo que mais gostou de fazer e qual mais mexeu com você pessoalmente?
Espetáculo é como filho, pais, canções. Gostamos de cada um por uma característica, por uma história, por um resultado, até mesmo por um fracasso, que muitas vezes ensina mais do que o sucesso – que obnubila nossa visão crítica.

 
Cinema, Teatro ou TV? Qual a ordem de importância para você? 
Mesmo com pouquíssima experiência em cinema e TV, acho que o teatro vem sempre à frente.
 

Em algum momento teve vontade de largar a carreira artística?
Agradeço à arte por nunca ter me dado tempo de pensar nisso.
 

Qual é a importância da arte-educação na construção de um indivíduo?
A arte e a educação são irmãs siamesas que nosso ensino tecnicista quer separar a facão. Platão já dizia que arte, filosofia e esporte são a base de formação do indivíduo. A sensibilidade, o intelecto e o corpo saudável. É a falta de sensibilidade que assola nosso mundo que faz o homem ser violento, sem amor, sem poesia. A arte faz o homem se tornar menos bicho, menos bruto, menos burocrático, menos objetivo em excesso, enfim, a arte-educação é um meio de trazer a criança e o adolescente pra um universo que nem mesmo em casa ele tem possibilidade de experimentar, formando assim um futuro cidadão mais completo, sensível e complexo. É isso, falta complexidade ao homem de hoje em dia. Nietzsche já dizia que o super-homem dele seria o mais complexo, e não o mais forte, o mais poderoso, o mais rico, como muitos sonham querer ser.
 

Você e a atriz-jornalista Jussilene Santana têm um blog, onde é exposto tudo que rola no teatro baiano. Qual é a maior finalidade desse blog? Como você divide as funções com Jussilene?
O blog www.teatronu.com é um espaço de reflexão, crítica e também divulgação do que nosso grupo anda fazendo. Temos uma média de 500 pessoas acessando por semana, e sempre sou parado na rua pra ouvir elogios ao espaço que criamos. Não há ali um exercício de ego, queremos que seja uma tribuna onde possamos discutir o mundo que nos cerca, pois este espaço está cada vez mais escasso na mídia, nas escolas e faculdades, nas mesas de bar. Discutir é ser chato. Criticar é ser diferente. Defender opiniões é ser arrogante. Ali, pretendemos dissolver essas burrices pensadas transformando o blog num espaço livre e aberto de reflexão sobre arte, sociedade e política.

Jussilene, também atriz do grupo, divide os textos comigo. Publicamos com independência, quando queremos, com idéias diferentes e assuntos vários que nem sempre se encaixam, o que torna o blog ainda mais rico de estilo, assunto e diversidade.


 
Todos nós sabemos que a leitura é algo importante para o desenvolvimento do indivíduo, principalmente quando este escolhe a arte como profissão. Quais procedimentos você acha indispensáveis para quem quer abraçar a carreira artística?
 
Ler tudo, assistir tudo que puder, e depois ler mais. A intuição e o talento são a ponta de um iceberg. Muitos aqui acham que basta ter desenvoltura no palco, idéias boas para imagens cênicas, e num instante se vira artista. Mas o artista tem uma responsabilidade imensa com a história da arte, do mundo, e com seu futuro. Se ele não dialoga com isso, se ele não se encaixa nessa estrada que vem sendo construída há mais de dois mil anos, ele corre o risco total de ser um mero aventureiro que pode atingir os píncaros do sucesso, mas jamais acessar os recônditos mais fantásticos que a arte nos abre em seu imenso abismo de sonhos.


 
Quem são os seus ídolos? E quem são os maiores artistas da atualidade?
 
Admiro muito a obra e a carreira de Gilberto Gil. No teatro, existem encenadores e dramaturgos que marcaram minha curta carreira, e atores que me inventaram como diretor. A eles devo meu maior agradecimento, mas essa coisa de idolatria é boa pra vender ingresso caro, camisa, aumentar audiência de programa de televisão e emburrecer a percepção crítica de uma sociedade quase que totalmente idiotizada pelos meios de comunicação, pela educação, pela família, por ela mesma.
 

Vivemos em um mundo cheio de injustiça, violência, corrupção, trafico de drogas... Diante disso, você acredita que sonhar e tentar achar uma solução é uma utopia? 
 
Nós somos alimentados pelos sonhos, mesmo que eles não tenham recheio de goiaba ou doce de leite. Faço teatro, componho, escrevo e ensino com essa esperança, tento mandar meu recado para que as coisas não fiquem do mesmo jeito. Tem um trecho de uma peça inédita minha, Sade, que diz assim:
JEAN – Não sei, senhor... E de que adianta a revolta? Se tudo muda pra ficar igual, como o senhor mesmo falou... Nada vai mudar.

SADE – Nada vai mudar, mas pelo menos temos o gostinho de ver as coisas bagunçadas. É melhor andar em círculos do que ficar parado. Pelo menos conseguimos desviar das bostas de passarinho.
 


Glauber dizia que ator é gado. O que você acha dessa frase?  
Se não me engano, quem falou isso – pelo menos primeiramente – foi Orson Welles. A idéia original da frase é diminuir o ator como um bicho a mais no rebanho, totalmente conduzido pelo "diretor". Mas podemos subverter e pensar que se a vaca é sagrada na Índia, porque não pensar esse gado como algo sagrado no teatro. Faz-se teatro sem tudo, menos sem ator. E alguns dos meus maiores prazeres na vida eu tive ao lado desses seres que recriaram poesia em seu próprio corpo. É pouca coisa, isso?
 

Quem é Gil Vicente por Gil Vicente?
Um chato simpático; nem sempre chato e nem sempre simpático.
 
Principais Trabalhos: 
Meus cartões de visita são Vixe Maria, Deus e o Diabo na Bahia e o filme Cidade Baixa, ambos escritos em parceria com outros profissionais. Mas sempre tenho carinho pela última coisa que fiz (Os Javalis), e ter começado a dirigir meus próprios textos com o Teatro NU são realizações que me satisfazem muito. E o espetáculo O despertar da primavera, de Wedekind – que montei no Vila Velha – foi um marco estético e profissional pra mim, que passou despercebido – como quase tudo que faço, aliás – da classe e do público baiano. 
 
Próximos trabalhos: 
Quero retornar com Os Javalis, e tenho três textos, um meu, uma adaptação de João Ubaldo e uma peça de um autor espanhol que pretendo montar assim que conseguir uma verba que dê, ao menos, pra não corroborar o amadorismo que nos assola em Salvador.
 
Uma frase:
 Tem uma frase que atribuem a Almeida Garret, escritor português, que gosto muito: "o teatro é um avançado meio de civilização, mas não progride onde não a há".

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Três X O Pai Ó? Polêmica a vista!!!
Publicado às 13:10 em 12/12/2008

Muito tem se falado sobre o retrato pintado da Bahia, que vem sendo ultimamente divulgado pelo filme e, agora, seriado global O Pai Ó, estrelado pelo Bando de Teatro Olodum. Muitas pessoas não estão satisfeitas com o excesso de estereótipos baianos presentes na trama. Particularmente, adoro a peça de teatro, que deu origem a tudo, e também não sou fã da versão para as outras linguagens. Acho o Bando muito melhor do que o que foi apresentado. Mas por outro lado, é bom ver um "bando" de atores baianos invadindo o horário nobre das casas brasileiras e provocar uma discussão a cerca desse tema tão importante.

A Bahia, realmente e, graças a Deus, não é só o Pelourinho, não é só axé, não é só baiana de acarajé, não é só dendê, não é só muita coisa. Mas é isso também. E o Bando não é bobo e certamente tem consciência disso, já que está atualmente em cartaz no Rio de Janeiro com quatro peças do seu repertório (Ó Pai Ó, Áfricas, Cabaré da Rrrrrraça e Sonho de uma noite de verão). Isso quer dizer, mais ou menos: "Ok, você já conhecem isso, agora conheça outras coisas também".

Isso me fez lembrar de um episódio que vivi na Escola de Teatro, quando ainda era aluna de Interpretação. Estava participando de um projeto, com uma cena, onde interpretava uma empregada doméstica. Um aluno, ainda ressentido, foi para sala de aula chorando dizendo que tal cena diminuía o negro. A professora, que também era coordenadora de uma ONG, onde eu trabalhava, organizou uma reunião com outras coordenadoras para me questionarem por onde andava a minha "questão negra". Disseram que interpretar uma empregada reafirmava os estereótipos e desvalorizava minha raça. Olhei para a cara daquela senhora e tentei me lembrar de algum momento em que a vi sentada na platéia de algum espetáculo que eu tenha feito. Pensei também em desde quando ser empregada doméstica era indigno, enfim... Era um típico discurso de uma senhora de escravos, querendo manipular a "escravinha". A verdade é que posso fazer empregada doméstica também. Sou atriz. Preciso ser muitas. E sou. Basta acompanhar a minha carreira. Somos muitos. É fato.

Pode ser que a versão de Ó Pai Ó tenha irritado porque diferentemente do teatro, o cinema e a TV são linguagens que dominam o Brasil de uma forma mais rápida e avassaladora. Além do mais, por mais que tentem fugir, nós não somos só aquilo, mas também somos aquilo. Somos a Barra, o Caminho das Árvores, Lauro de Freitas, Campo Grande, mas também somos o Pelourinho, o Maciel. Agora que o Brasil já conhece o Bando de Teatro Olodum, é o momento de mostrarem que para se fazer um delicioso caruru, não basta só jogar o dendê na panela. Sejamos profundos então. E na torcida.

E vocês, o que acham disso?

 

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É tempo de pensar em mudanças?
Publicado às 12:48 em 12/12/2008

O ano de 2009 está chegando e, com ele, a nossa eterna esperança por dias melhores. A nossa atual cultura, infelizmente, está a cada dia mais cambaleante. De quem é a culpa? Minha? Sua? Do atual governo? De Jaspion? De Hamlet? Não. Pelo menos, não somente. A culpa é nossa. Talvez chamar de culpa seja muito forte. Provavelmente o nome correto seja responsabilidade. Somos os grandes responsáveis pela crise que vivemos hoje. Principalmente, porque reclamamos muito, sempre, todos os dias, todas as horas e deixamos passar, como se um milagre fosse acontecer.  Simplesmente, jogamos a responsabilidade para terceiros. Nós culpamos o governo, o governo culpa Y, Y culpa Z e nesse jogo de culpa (sempre essa culpa), todos nós entramos em coma.

Recentemente, soube que enviaram uma carta anônima a Moacyr Gramacho, atual Diretor do Teatro Castro Alves, falando mal de suas atitudes e de sua atuação enquanto "chefe". Também soube que enviaram uma outra carta anônima ao grupo Dimenti, dizendo que o fato deles ganharem tantos editais se deve ao fato de possuírem costas quentes. As últimas reuniões com os artistas acontecidas na Sala do Coro para anuncio de editais se transformaram em deprimentes seções de terapia, sem médicos, sem receitas ou qualquer possibilidade de salvação. A sensação que tive era de estar numa clínica psiquiátrica como aquela do filme "Bicho de Sete Cabeças", sem ninguém se ouvir ou falar coisa com coisa.

Percebo também que tudo isso se deve ao fato de estarmos realmente cansados. Aonde queremos parar? São muitos os ranços, os rancores, os complexos, as incoerências... e a nossa arte, que é o mais importante, fica respirando com a ajuda de aparelhos. Concordo que os grandes projetos precisavam, sim, atingir a população do interior, mas não acho certo isso prejudicar a capital. A proposta deveria ser de parceria interior-capital, numa mesma luta, num mesmo objetivo. Mas vejo atualmente editais com valores ínfimos, que valoriza tudo, menos a parte humana (ou dá pra montar uma equipe dignamente remunerada com um edital de 20.000?), pessoas indo embora da cidade em busca da sonhada "terra do nunca", outras com trajes étnicos, no meio da rua, gritando por não sei o quê, as caixas de correio amarrotadas de correspondências enviadas por seres "invisíveis", vários atores tarimbados desempregados, um governo já começando a ficar desacreditado e todos a mercê de uma raiz que demora a produzir uma planta boa, com bons frutos.

Como todo bom brasileiro, somos até otimistas, mas andamos um tanto irritados, impacientes e indignados. Queremos mudanças. Mas será que sabemos realmente que mudanças são essas? A quem pertencem essas mudanças? Somos vítimas? Somos vilões? O Dimenti, por exemplo, é aprovado constantemente em projetos porque sabe fazê-los. E não é só os daqui que eles ganham. É no Brasil todo. A verdade é que eles entenderam a real definição da palavra profissionalização e praticam isso, todos os dias. Gostando ou não gostando, é um grupo digno de admiração. Muito mais do que lutar contra, temos que estar a favor. Que bom que tem alguém que consegue, que bom que o interior está tendo vez, que bom o que TCA.núcleo está rolando, que bom, que bom... Agora a questão é o que fazer com tudo isso. Temos que aprender a fazer projetos, temos que fazer com que entendam que o interior é importante, sim, mas a capital não pode ser encarada como ameaça, temos que mandar sugestões que melhorem a estrutura do núcleo, que ainda é frágil e discutível... Vamos, gente. Vamos remando a favor, de tudo, de todos, de nós mesmos. Por mais desestimulador que seja (e é muito), não vamos desistir dos editais. Vamos aprender a usá-los e vamos pensar outras coisas, vamos pressionar sem neuras, sem traumas, sem mágoas.

Nós, artistas, temos que parar de usar a arte somente como terapia. Teatro tem que ser profissão, teatro tem que fazer crescer, teatro tem que pagar as contas, teatro tem que pagar nossos luxos. E com dignidade SEMPRE.

Vamos nos movimentar, minha gente! Pelo amor de Deus! O universo sempre conspira. Axé!

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A volta do Premiado Pedro e a cobra-de-fogo
Publicado às 09:16 em 7/11/2008

O cenário é um quarto velho e abandonado. Nele, criaturas saídas de garrafas perambulam pelo quarto, tornando a história repleta de magia e mistério. Pedro é o personagem principal desta aventura. Em meio a livros, brinquedos, objetos... velhos ele embarca numa viagem onde contracena com personagens como o Urubu Rei, os Urubus Chefes, Astrobaldo, A Pantera, a Gata e o Leão, as Três irmãs do Oráculo e vários outros seres misteriosos.

Assim é Pedro e a cobra-de-fogo, espetáculo dirigido por Osvaldo Rosa, que ganhou o Prêmio Braskem de Teatro nas Categorias Melhor Espetáculo Infanto-Juvenil e Melhor de Texto, escrito por Tom S. Figueredo. Além das Indicações na Categoria Especial pelo Cenário de Igor Souza e a Direção de Osvaldo.
Poderia ser mais uma história daquelas infantis que todos nós estamos cansados de ver e fazer. Mas não é. Pedro e a cobra-de-fogo tem como objetivo agregar crianças de 2 a 100 anos e, para isso, utiliza-se de um texto ágil, divertido, que envolve e faz pensar, com atores que se dividem em vários personagens, que entram e saem do palco como num passe de mágica. A iluminação e o cenário são, sem dúvida, pontos primordiais para a concretização dessa ilusão.

Já falei várias vezes que não gosto de comentar muito sobre espetáculos que estou envolvida, principalmente este, onde sou um dos intérpretes. Mas não posso deixar passar porque, além de ser realmente bom, me pego, diversas vezes, também como espectador, viajando nas loucuras dos meus outros colegas. Além de mim, o elenco conta com Luciana Comin, Geovane Nascimento, Marcone Araponga e Jorge Baía.

É, sim, um espetáculo que tem que ser visto, não só pela qualidade e pela "magia", mas pelo estímulo a leitura, pelo estímulo a ida ao teatro, pelo estimulo a redescoberta da identidade infantil. Então, atenção, crianças, mamães, papais, vovós e vôvôs!!! O espetáculo ainda estará em cartaz nos dias 15, 16, 22 e 23 de novembro, sábado e domingo, às 17 horas, no Teatro Jorge Amado. Imperdível!!!

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Patrícia Rammos é atriz, Bacharel em Interpretação Teatral pela Escola de Teatro, Universidade Federal da Bahia, desde 2001. No Teatro, atuou nos espetáculos Pedro e a cobra-de-fogo, Ora, Bolas, Irmã Dulce, Cinderela Black Power entre outras produções.

No cinema, atuou nos curtas “O Homem Mais Insuportável do Mundo”, “Uma Canção” e “Negros em Movimento”. Atuou na TV e no Rádio como apresentadora em diversos eventos e programas.Apresentou o Projeto Música no Porto, esteve na Produção Executiva de Policarpo Quaresma e atualmente está em cartaz com o espetáculo Pedro e a cobra-de-fogo.
 

 

 









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