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Atire a Primeira Pedra...
Publicado às 12:07 em 24/3/2009

Não foram injustas as indicações ao Prêmio Braskem de Teatro, concedidas ao espetáculo de formatura de mais uma turma da Escola de Teatro – UFBA, dirigida por Luiz Marfuz, baseado em contos de Nelson Rodrigues. A encenação levou as indicações de Melhor Espetáculo, Categoria Especial Luciano Salvador Bahia (direção musical e trilha sonora) e Revelação – Rodrigo Frota (cenário) e Milena Flick (atriz)

O Grupo Os Cinquentões, como se denominam os novos atores formados, tem a seu favor a dedicação, o talento e o imenso profissionalismo. Todos estão bem, o que é raro em resultado de curso, onde na maioria das vezes, uns mostram-se mais preparados do que os outros. Como é bom ver no mercado uma turma empolgada e otimista. Todo mundo sabe como é difícil atuar e produzir num mesmo espetáculo e isso é algo comum em todos os espetáculos de formatura. Felizmente, muitos conseguem fazer tudo isso bem. É o caso de Os Cinquentões, que parecem extremamente preparados para os percalços que esta profissão nos proporciona. Eles cantam, dançam e interpretam. Quem não quer se formar assim?

Outra coisa é ter Nelson Rodrigues como inspiração e Cleise Mendes, que adaptou com Fernando Santana, um dos atores, alguns contos de Nelson. Sou suspeita para falar desse “anjo pornográfico”, pois o considero um dos melhores dramaturgos do mundo. Um homem que soube transformar todos os seus “monstrinhos” em textos e, consequentemente, em arte. Cada personagem, cada réplica, cada rubrica, comunica e permite que viajemos por um mundo instigante e revelador.

Associar tudo isso à Marfuz, ao talentosíssimo músico, Luciano Salvador Bahia, inspiradíssimo na escolha da trilha com elementos bregas e, por fim, ao maravilhoso e completo artista da nova geração, Rodrigo Frota, com o seu cenário preciso e, funcional, foi um bom motivo para mais uma ida ao teatro. Atire a Primeira Pedra é motivo de orgulho e merece, sim, muitos prêmios. Senão os oficiais, os da vida. Uma vida longa!!!

Em cartaz até 27/03 no espaço Xisto Bahia, sempre às 20 horas.

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Vamos comemorar?
Publicado às 12:04 em 24/3/2009

Janeiro já passou, fevereiro acabou de partir, nos despedimos do carnaval... O verão continua, mas, aos poucos, parece que, finalmente, as pessoas começam a pensar em 2009. O ano finalmente chegou para o povo brasileiro, o semestre finalmente recomeça para a cultura baiana. Primeiro, foram as indicações ao Prêmio Braskem de Teatro (estava rolando uma conversa de que não teria este ano), depois, o resultado do Edital de Circulação Cultural da FUNCEB e, agora, Março chega carregado de novas esperanças, de novas expectativas e desejos de realizações. Para o teatro este é o mês de celebrações. Vamos comemorar o Dia Nacional do Teatro para a Infância e Juventude (UNESCO) - dia 20; O Dia Internacional de Teatro de Bonecos - Dia 21 e o Dia Mundial do Teatro e Nacional do Circo - Dia 27.

Há muito o que se festejar e, como não queremos que estes festejos passem em branco, os artistas baianos planejam várias ações, que vão desde um Cortejo Performático, formado pelos artistas de teatro de rua, até a realização de espetáculos a preços populares, em vários teatros do Estado.

Além dos já conhecidos artistas de teatro de rua, de várias localidades da Bahia, também farão parte do Cortejo, artistas do Circo Picolino e os atores-palhaços. Será um mês cheio de atividades e novidades. Uma delas, inclusive, é a criação do Curso Profissionalizante de Palhaço que acaba de ser criado pela Sitorne, onde quem ingressar, poderá, ao final, torna-se um profissional da área, com o apoio total do Sated. Este, inclusive, junto com a Fundação Cultural, é um dos organizadores dessa grande festa no mês do teatro.

Apesar de achar que está cada vez mais complicado abraçar a arte teatral como única opção de profissão, continuo considerando-a, sem dúvida uma das artes mais reveladoras e transformadoras que temos e, também por esta razão, há sempre motivo para comemorarmos. É prestigiando-a em suas diversas formas de manifestação que a tornaremos cada vez mais legítima e necessária na formação de todo e qualquer indivíduo.

Viva Março!!! Viva o Teatro!!! Viva Baco!!!

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Entrevista com Gil Vicente Tavares
Publicado às 14:00 em 14/1/2009

Gil Vicente é, sem dúvida, um dos profissionais mais talentosos e engajados de sua geração. Ele já dirigiu nomes como Harildo Déda e Yumara Rodrigues, escreveu em parceria com outras pessoas o espetáculo teatral Vixe Maria, Deus e o Diabo na Bahia e o filme Cidade Baixa, compôs canções para grandes nomes da MPB... dentre outras milhares de coisas realizadas por um ainda jovem, inteligente, provocador e corajoso artista. Aqui, nesta entrevista, ele mostra que, apesar de todas adversidades da carreira, é possível, sim, viver de arte e com brilho... SEMPRE. Com certeza, uma ótima maneira de começarmos o ano.
 
Feliz ano novo, minha gente!!! Tenho plena certeza de que "o melhor vai começar"!!!
 
 
Como e quando começou a sua carreira?
Minha mãe estava trabalhando no figurino de um espetáculo infantil, O condomínio da floresta encantada, lá pelos idos de 1981, no Rio. Eu tinha 4 anos de idade e fiz minha estréia como ator no papel de uma onça. Daí, fiz uma oficina com Balu Carvalho, preparadora de elenco infantil, e algumas figurações na Globo no Sítio do Pipa-Pau Amarelo, etc.

Depois, a música me tomou e só fui retomar o teatro em 1993, numa oficina do Solar Boa Vista com Airesa, um professor de teatro. Dois anos depois eu faria vestibular pra Escola de Teatro, entrando em 1995 e não saindo mais dessa profissão.
 


Você já participou de algum grupo? Como você enxerga o teatro realizado por grupos atualmente? E quais artistas e/ou grupos você destacaria pelo potencial e pela profissionalização?

Salvador é carente de grupos. Principalmente quando vemos a estrutura de grupos fora daqui, sua organização, repertório, reciclagem. Mas o Bando de teatro Olodum merece o devido destaque, e isso acabou incentivando a criação e retomada de grupos, no Teatro Vila Velha, espaço que se tornou um teatro de grupos, praticamente, mesmo que sua maioria ainda não estruturada de forma coesa com uma estética e um repertório de peso. Há o Dimenti, Os Argonautas, que estão parados em função do desmembramento territorial de seu elenco, e alguns outros que não vou lembrar. Mas, num contexto geral, o quadro ainda é desanimador, falta mais pesquisa, continuidade, bem como diálogo com a cidade, que geralmente dá as costas ao teatro produzido aqui em Salvador. Bem como não há incentivo dos poderes públicos para que os grupos "se virem" dentro do nosso contexto.

É bom lembrar que tenho um grupo, também, que já vai fazer 3 anos. O Teatro NU. Mas que é também ainda incipiente dentro de uma realidade maior que poderia ter na cidade.

 
Cada montagem de um espetáculo é uma história. Existe algum fato curioso que marcou sua carreira? 
 
Dois fatos seguidos que marcaram minha carreira foram eu ter dirigido os dois maiores atores da Bahia logo no início da minha carreira. Dirigi Harildo Déda em Quartett, meu espetáculo de formatura que teve carreira profissional, e logo depois Yumara Rodrigues, na comemoração de seus 40 anos de carreira. Fui "batizado" muito cedo, e isso redimensionou minha visão, pois foi um aprendizado – aliás, até hoje aprendo muito com os atores e criadores com quem trabalho. Sinto-me fazendo especializações na área a cada novo profissional experiente que chamo pra trabalhar comigo. Isso é fundamental pro artista. 

 
O que você acha da atual política cultural baiana?
 
Em poucas palavras, penso que esse assistencialismo que o PT disseminou para a área da cultura, no âmbito estadual, com a bandeira da democratização e interiorização, acabou desestruturando o profissionalismo e estruturas antigas que caminhavam para um futuro promissor, e que agora gera uma desilusão e um desestímulo nos profissionais que vêem uma forte amadorização das estéticas, das estruturas e da mentalidade do fazer teatral – e deixo claro aqui que falo pela minha área, principalmente. No âmbito municipal, é bem pior. É tão absolutamente nada o que se faz, que nem há a chance de estragar ou melhorar, pois não se multiplica nem se subtrai do zero.

 
O que você acha falta ao teatro e aos artistas atuais para atingirem a perfeição? Como você acha que, nós, artistas, deveríamos agir para tornar a nossa realidade mais justa?
 
Pra o artista chegar à perfeição ele tem que morrer e achar um bando de críticos que resolvam elegê-lo como perfeito. É a única chance.

Acima de tudo, é preciso união. A classe teatral de Salvador fica pelos cantos falando mal cada uma das outras panelas, não interagem, e não dialogam. Todas as reuniões que marcamos são vazias, e se não houver união, estamos fadados a não ter voz nem força enquanto classe. E aí, é o salve-se quem puder. Fico triste com isso. Não se discute coisas efetivas, não se faz uma crítica contundente, objetiva e com nomes fortes, sobre as gestões do Município e do Estado.


 
Você é diretor e dramaturgo... também toca violão e compõe canções, como essa habilidade surgiu em sua vida e o que prefere fazer? É um hobby ou mais uma possibilidade?
 
Tenho mais prêmios – que não significam absolutamente nada – em música do que em teatro. É só uma curiosidade. Sou compositor antes de ser dramaturgo. E poeta antes de ser compositor. Pratico todas as "funções", e muitas vezes sinto-me mais recompensado e realizado na música, talvez pela Bahia ser tão musical, as pessoas se relacionarem muito mais com a música do que com o teatro. Entre meus pares, o reconhecimento talvez seja maior entre músicos do que entre artistas de teatro. Mas tudo isso são só suposições, pois realizei muito mais coisas e fui muito mais longe com o teatro do que com a música, indo à Europa, fazendo cinema, etc. 



Como é o seu processo de criação? Apesar da experiência, você já sentiu dificuldade de compor algum espetáculo?
 
Geralmente escolho montar algo que já me veio como imagem e idéia na cabeça. Escolho uma peça pelo que ela diz e como ela diz. Relaciono-me com isso e isso facilita minha vida. Mas o teatro é uma arte coletiva, onde tenho que lidar com os defeitos e problemas dos outros e eles com os meus. A dificuldade é equalizar tudo isso para uma harmonia da realização final.

Gosto muito do trabalho de mesa, de descobrir nas palavras a ação, as marcações, o cenário, o figurino, enfim, se o texto é bom, está tudo lá. Mas a depender na peça, o processo difere. Como diz um dos meus mestres, Ewald Hackler, cada peça é um cofre que temos que abrir. Um é através do segredo, outro, jogando pela janela, outro com maçarico, outro com uma bomba. Enfim, pra cada texto há um processo diferente, que muitas vezes você só sente na sala de ensaio.

 
Com quem você gostaria de trabalhar e ainda não trabalhou?
Nessa lista caberiam uns 3.978.457 nomes. É preferível que eu não responda.

 
Qual foi o espetáculo que mais gostou de fazer e qual mais mexeu com você pessoalmente?
Espetáculo é como filho, pais, canções. Gostamos de cada um por uma característica, por uma história, por um resultado, até mesmo por um fracasso, que muitas vezes ensina mais do que o sucesso – que obnubila nossa visão crítica.

 
Cinema, Teatro ou TV? Qual a ordem de importância para você? 
Mesmo com pouquíssima experiência em cinema e TV, acho que o teatro vem sempre à frente.
 

Em algum momento teve vontade de largar a carreira artística?
Agradeço à arte por nunca ter me dado tempo de pensar nisso.
 

Qual é a importância da arte-educação na construção de um indivíduo?
A arte e a educação são irmãs siamesas que nosso ensino tecnicista quer separar a facão. Platão já dizia que arte, filosofia e esporte são a base de formação do indivíduo. A sensibilidade, o intelecto e o corpo saudável. É a falta de sensibilidade que assola nosso mundo que faz o homem ser violento, sem amor, sem poesia. A arte faz o homem se tornar menos bicho, menos bruto, menos burocrático, menos objetivo em excesso, enfim, a arte-educação é um meio de trazer a criança e o adolescente pra um universo que nem mesmo em casa ele tem possibilidade de experimentar, formando assim um futuro cidadão mais completo, sensível e complexo. É isso, falta complexidade ao homem de hoje em dia. Nietzsche já dizia que o super-homem dele seria o mais complexo, e não o mais forte, o mais poderoso, o mais rico, como muitos sonham querer ser.
 

Você e a atriz-jornalista Jussilene Santana têm um blog, onde é exposto tudo que rola no teatro baiano. Qual é a maior finalidade desse blog? Como você divide as funções com Jussilene?
O blog www.teatronu.com é um espaço de reflexão, crítica e também divulgação do que nosso grupo anda fazendo. Temos uma média de 500 pessoas acessando por semana, e sempre sou parado na rua pra ouvir elogios ao espaço que criamos. Não há ali um exercício de ego, queremos que seja uma tribuna onde possamos discutir o mundo que nos cerca, pois este espaço está cada vez mais escasso na mídia, nas escolas e faculdades, nas mesas de bar. Discutir é ser chato. Criticar é ser diferente. Defender opiniões é ser arrogante. Ali, pretendemos dissolver essas burrices pensadas transformando o blog num espaço livre e aberto de reflexão sobre arte, sociedade e política.

Jussilene, também atriz do grupo, divide os textos comigo. Publicamos com independência, quando queremos, com idéias diferentes e assuntos vários que nem sempre se encaixam, o que torna o blog ainda mais rico de estilo, assunto e diversidade.


 
Todos nós sabemos que a leitura é algo importante para o desenvolvimento do indivíduo, principalmente quando este escolhe a arte como profissão. Quais procedimentos você acha indispensáveis para quem quer abraçar a carreira artística?
 
Ler tudo, assistir tudo que puder, e depois ler mais. A intuição e o talento são a ponta de um iceberg. Muitos aqui acham que basta ter desenvoltura no palco, idéias boas para imagens cênicas, e num instante se vira artista. Mas o artista tem uma responsabilidade imensa com a história da arte, do mundo, e com seu futuro. Se ele não dialoga com isso, se ele não se encaixa nessa estrada que vem sendo construída há mais de dois mil anos, ele corre o risco total de ser um mero aventureiro que pode atingir os píncaros do sucesso, mas jamais acessar os recônditos mais fantásticos que a arte nos abre em seu imenso abismo de sonhos.


 
Quem são os seus ídolos? E quem são os maiores artistas da atualidade?
 
Admiro muito a obra e a carreira de Gilberto Gil. No teatro, existem encenadores e dramaturgos que marcaram minha curta carreira, e atores que me inventaram como diretor. A eles devo meu maior agradecimento, mas essa coisa de idolatria é boa pra vender ingresso caro, camisa, aumentar audiência de programa de televisão e emburrecer a percepção crítica de uma sociedade quase que totalmente idiotizada pelos meios de comunicação, pela educação, pela família, por ela mesma.
 

Vivemos em um mundo cheio de injustiça, violência, corrupção, trafico de drogas... Diante disso, você acredita que sonhar e tentar achar uma solução é uma utopia? 
 
Nós somos alimentados pelos sonhos, mesmo que eles não tenham recheio de goiaba ou doce de leite. Faço teatro, componho, escrevo e ensino com essa esperança, tento mandar meu recado para que as coisas não fiquem do mesmo jeito. Tem um trecho de uma peça inédita minha, Sade, que diz assim:
JEAN – Não sei, senhor... E de que adianta a revolta? Se tudo muda pra ficar igual, como o senhor mesmo falou... Nada vai mudar.

SADE – Nada vai mudar, mas pelo menos temos o gostinho de ver as coisas bagunçadas. É melhor andar em círculos do que ficar parado. Pelo menos conseguimos desviar das bostas de passarinho.
 


Glauber dizia que ator é gado. O que você acha dessa frase?  
Se não me engano, quem falou isso – pelo menos primeiramente – foi Orson Welles. A idéia original da frase é diminuir o ator como um bicho a mais no rebanho, totalmente conduzido pelo "diretor". Mas podemos subverter e pensar que se a vaca é sagrada na Índia, porque não pensar esse gado como algo sagrado no teatro. Faz-se teatro sem tudo, menos sem ator. E alguns dos meus maiores prazeres na vida eu tive ao lado desses seres que recriaram poesia em seu próprio corpo. É pouca coisa, isso?
 

Quem é Gil Vicente por Gil Vicente?
Um chato simpático; nem sempre chato e nem sempre simpático.
 
Principais Trabalhos: 
Meus cartões de visita são Vixe Maria, Deus e o Diabo na Bahia e o filme Cidade Baixa, ambos escritos em parceria com outros profissionais. Mas sempre tenho carinho pela última coisa que fiz (Os Javalis), e ter começado a dirigir meus próprios textos com o Teatro NU são realizações que me satisfazem muito. E o espetáculo O despertar da primavera, de Wedekind – que montei no Vila Velha – foi um marco estético e profissional pra mim, que passou despercebido – como quase tudo que faço, aliás – da classe e do público baiano. 
 
Próximos trabalhos: 
Quero retornar com Os Javalis, e tenho três textos, um meu, uma adaptação de João Ubaldo e uma peça de um autor espanhol que pretendo montar assim que conseguir uma verba que dê, ao menos, pra não corroborar o amadorismo que nos assola em Salvador.
 
Uma frase:
 Tem uma frase que atribuem a Almeida Garret, escritor português, que gosto muito: "o teatro é um avançado meio de civilização, mas não progride onde não a há".

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Três X O Pai Ó? Polêmica a vista!!!
Publicado às 13:10 em 12/12/2008

Muito tem se falado sobre o retrato pintado da Bahia, que vem sendo ultimamente divulgado pelo filme e, agora, seriado global O Pai Ó, estrelado pelo Bando de Teatro Olodum. Muitas pessoas não estão satisfeitas com o excesso de estereótipos baianos presentes na trama. Particularmente, adoro a peça de teatro, que deu origem a tudo, e também não sou fã da versão para as outras linguagens. Acho o Bando muito melhor do que o que foi apresentado. Mas por outro lado, é bom ver um "bando" de atores baianos invadindo o horário nobre das casas brasileiras e provocar uma discussão a cerca desse tema tão importante.

A Bahia, realmente e, graças a Deus, não é só o Pelourinho, não é só axé, não é só baiana de acarajé, não é só dendê, não é só muita coisa. Mas é isso também. E o Bando não é bobo e certamente tem consciência disso, já que está atualmente em cartaz no Rio de Janeiro com quatro peças do seu repertório (Ó Pai Ó, Áfricas, Cabaré da Rrrrrraça e Sonho de uma noite de verão). Isso quer dizer, mais ou menos: "Ok, você já conhecem isso, agora conheça outras coisas também".

Isso me fez lembrar de um episódio que vivi na Escola de Teatro, quando ainda era aluna de Interpretação. Estava participando de um projeto, com uma cena, onde interpretava uma empregada doméstica. Um aluno, ainda ressentido, foi para sala de aula chorando dizendo que tal cena diminuía o negro. A professora, que também era coordenadora de uma ONG, onde eu trabalhava, organizou uma reunião com outras coordenadoras para me questionarem por onde andava a minha "questão negra". Disseram que interpretar uma empregada reafirmava os estereótipos e desvalorizava minha raça. Olhei para a cara daquela senhora e tentei me lembrar de algum momento em que a vi sentada na platéia de algum espetáculo que eu tenha feito. Pensei também em desde quando ser empregada doméstica era indigno, enfim... Era um típico discurso de uma senhora de escravos, querendo manipular a "escravinha". A verdade é que posso fazer empregada doméstica também. Sou atriz. Preciso ser muitas. E sou. Basta acompanhar a minha carreira. Somos muitos. É fato.

Pode ser que a versão de Ó Pai Ó tenha irritado porque diferentemente do teatro, o cinema e a TV são linguagens que dominam o Brasil de uma forma mais rápida e avassaladora. Além do mais, por mais que tentem fugir, nós não somos só aquilo, mas também somos aquilo. Somos a Barra, o Caminho das Árvores, Lauro de Freitas, Campo Grande, mas também somos o Pelourinho, o Maciel. Agora que o Brasil já conhece o Bando de Teatro Olodum, é o momento de mostrarem que para se fazer um delicioso caruru, não basta só jogar o dendê na panela. Sejamos profundos então. E na torcida.

E vocês, o que acham disso?

 

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É tempo de pensar em mudanças?
Publicado às 12:48 em 12/12/2008

O ano de 2009 está chegando e, com ele, a nossa eterna esperança por dias melhores. A nossa atual cultura, infelizmente, está a cada dia mais cambaleante. De quem é a culpa? Minha? Sua? Do atual governo? De Jaspion? De Hamlet? Não. Pelo menos, não somente. A culpa é nossa. Talvez chamar de culpa seja muito forte. Provavelmente o nome correto seja responsabilidade. Somos os grandes responsáveis pela crise que vivemos hoje. Principalmente, porque reclamamos muito, sempre, todos os dias, todas as horas e deixamos passar, como se um milagre fosse acontecer.  Simplesmente, jogamos a responsabilidade para terceiros. Nós culpamos o governo, o governo culpa Y, Y culpa Z e nesse jogo de culpa (sempre essa culpa), todos nós entramos em coma.

Recentemente, soube que enviaram uma carta anônima a Moacyr Gramacho, atual Diretor do Teatro Castro Alves, falando mal de suas atitudes e de sua atuação enquanto "chefe". Também soube que enviaram uma outra carta anônima ao grupo Dimenti, dizendo que o fato deles ganharem tantos editais se deve ao fato de possuírem costas quentes. As últimas reuniões com os artistas acontecidas na Sala do Coro para anuncio de editais se transformaram em deprimentes seções de terapia, sem médicos, sem receitas ou qualquer possibilidade de salvação. A sensação que tive era de estar numa clínica psiquiátrica como aquela do filme "Bicho de Sete Cabeças", sem ninguém se ouvir ou falar coisa com coisa.

Percebo também que tudo isso se deve ao fato de estarmos realmente cansados. Aonde queremos parar? São muitos os ranços, os rancores, os complexos, as incoerências... e a nossa arte, que é o mais importante, fica respirando com a ajuda de aparelhos. Concordo que os grandes projetos precisavam, sim, atingir a população do interior, mas não acho certo isso prejudicar a capital. A proposta deveria ser de parceria interior-capital, numa mesma luta, num mesmo objetivo. Mas vejo atualmente editais com valores ínfimos, que valoriza tudo, menos a parte humana (ou dá pra montar uma equipe dignamente remunerada com um edital de 20.000?), pessoas indo embora da cidade em busca da sonhada "terra do nunca", outras com trajes étnicos, no meio da rua, gritando por não sei o quê, as caixas de correio amarrotadas de correspondências enviadas por seres "invisíveis", vários atores tarimbados desempregados, um governo já começando a ficar desacreditado e todos a mercê de uma raiz que demora a produzir uma planta boa, com bons frutos.

Como todo bom brasileiro, somos até otimistas, mas andamos um tanto irritados, impacientes e indignados. Queremos mudanças. Mas será que sabemos realmente que mudanças são essas? A quem pertencem essas mudanças? Somos vítimas? Somos vilões? O Dimenti, por exemplo, é aprovado constantemente em projetos porque sabe fazê-los. E não é só os daqui que eles ganham. É no Brasil todo. A verdade é que eles entenderam a real definição da palavra profissionalização e praticam isso, todos os dias. Gostando ou não gostando, é um grupo digno de admiração. Muito mais do que lutar contra, temos que estar a favor. Que bom que tem alguém que consegue, que bom que o interior está tendo vez, que bom o que TCA.núcleo está rolando, que bom, que bom... Agora a questão é o que fazer com tudo isso. Temos que aprender a fazer projetos, temos que fazer com que entendam que o interior é importante, sim, mas a capital não pode ser encarada como ameaça, temos que mandar sugestões que melhorem a estrutura do núcleo, que ainda é frágil e discutível... Vamos, gente. Vamos remando a favor, de tudo, de todos, de nós mesmos. Por mais desestimulador que seja (e é muito), não vamos desistir dos editais. Vamos aprender a usá-los e vamos pensar outras coisas, vamos pressionar sem neuras, sem traumas, sem mágoas.

Nós, artistas, temos que parar de usar a arte somente como terapia. Teatro tem que ser profissão, teatro tem que fazer crescer, teatro tem que pagar as contas, teatro tem que pagar nossos luxos. E com dignidade SEMPRE.

Vamos nos movimentar, minha gente! Pelo amor de Deus! O universo sempre conspira. Axé!

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A volta do Premiado Pedro e a cobra-de-fogo
Publicado às 09:16 em 7/11/2008

O cenário é um quarto velho e abandonado. Nele, criaturas saídas de garrafas perambulam pelo quarto, tornando a história repleta de magia e mistério. Pedro é o personagem principal desta aventura. Em meio a livros, brinquedos, objetos... velhos ele embarca numa viagem onde contracena com personagens como o Urubu Rei, os Urubus Chefes, Astrobaldo, A Pantera, a Gata e o Leão, as Três irmãs do Oráculo e vários outros seres misteriosos.

Assim é Pedro e a cobra-de-fogo, espetáculo dirigido por Osvaldo Rosa, que ganhou o Prêmio Braskem de Teatro nas Categorias Melhor Espetáculo Infanto-Juvenil e Melhor de Texto, escrito por Tom S. Figueredo. Além das Indicações na Categoria Especial pelo Cenário de Igor Souza e a Direção de Osvaldo.
Poderia ser mais uma história daquelas infantis que todos nós estamos cansados de ver e fazer. Mas não é. Pedro e a cobra-de-fogo tem como objetivo agregar crianças de 2 a 100 anos e, para isso, utiliza-se de um texto ágil, divertido, que envolve e faz pensar, com atores que se dividem em vários personagens, que entram e saem do palco como num passe de mágica. A iluminação e o cenário são, sem dúvida, pontos primordiais para a concretização dessa ilusão.

Já falei várias vezes que não gosto de comentar muito sobre espetáculos que estou envolvida, principalmente este, onde sou um dos intérpretes. Mas não posso deixar passar porque, além de ser realmente bom, me pego, diversas vezes, também como espectador, viajando nas loucuras dos meus outros colegas. Além de mim, o elenco conta com Luciana Comin, Geovane Nascimento, Marcone Araponga e Jorge Baía.

É, sim, um espetáculo que tem que ser visto, não só pela qualidade e pela "magia", mas pelo estímulo a leitura, pelo estímulo a ida ao teatro, pelo estimulo a redescoberta da identidade infantil. Então, atenção, crianças, mamães, papais, vovós e vôvôs!!! O espetáculo ainda estará em cartaz nos dias 15, 16, 22 e 23 de novembro, sábado e domingo, às 17 horas, no Teatro Jorge Amado. Imperdível!!!

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FIAC BAHIA 2008 ? Celebração e Conquista!!!
Publicado às 11:49 em 6/11/2008

Foi um sucesso a primeira Edição do Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC-Bahia), que aconteceu de 24 a 31 de outubro. Artistas de diversos cantos do mundo, reunidos em vários palcos do Estado (contando com Feira de Santana e Camaçari), apresentando espetáculos, oficinas, bate-papos, lançamentos... enfim, uma celebração comanda por Nehle Franke, Ricardo Libório e Felipe de Assis.

De Peter Brook a Caio Fernando Abreu, vivemos dias de puro deleite cultural. Fiquei muito feliz com tudo. Com os espetáculos, com os grupos, com a equipe, com os espaços, com a celebração. Com certeza, há muito tempo a Bahia não abrigava um evento tão forte, organizado e consistente neste segmento, que reuniu artistas de Congo, da França, da Noruega, de outros Estados brasileiros e da própria Bahia. Inclusive, a maioria dos espetáculos já circulou por diversos Estados brasileiros, mas nunca havia passado por aqui. Uma conquista agora comemorada por nós.

Dos vários espetáculos e grupos que passaram pelos nossos palcos, destaco o Grupo Espanca!-MG interpretando Por Elise – espetáculo delicado e tocante, onde uma dona de casa, que possui um pé de abacate em seu quintal, teme a queda desses frutos em sua cabeça, tudo permeado de outros personagens, outras questões e outras histórias (de quantos abacates temos que nos livrar na vida?); A Cia dos Atores e o seu Ensaio.Hamlet – uma desconstrução curiosa do Hamlet de Shakespeare, onde cada personagem, além do próprio Hamlet se questiona e corre atrás de seu "ser ou não ser?", a Cia Luna Lunera-MG e o seu inesquecível  Aqueles Dois – espetáculo limpo, melancólico, a partir do universo de Caio Fernando Abreu, onde dois homens em conflito são multiplicados pelos quatro atores;

O Grupo XIX de Teatro-SP trouxe Hysteria (o que mais me tocou) que aconteceu dentro do Instituto Feminino da Bahia. Lá, homens e mulheres eram separados. As mulheres praticamente faziam parte da encenação e os homens eram as principais testemunhas. Sempre tive medo de peças interativas, mas fui desarmada. Que espetáculo lindo, simples, sem textos complicados, sem cenários super elaborados... nada disso. Só sentimento, só verdade. Prova de que para que o teatro aconteça basta a presença de atores e da platéia. Até a luz era a natural, a que entrava pelas janelas. Me emocionei bastante. Tantas mulheres, tantas de nós... Uma que esperava um marido que nunca chegava, outra que reprimia todas, mas que era tão prisioneira e histérica quanto...

Destaco também os loucos da Cia do Chapitô – Portugal e o seu O Grande Criador, que desconstrói toda a história da bíblia, desde Adão à Jesus, com ironia, cinismo e humor. Achei longo e sem final, mas adorei a cara de pau e ver atores se divertido em cena. É tão bom ver isso! Também tivemos o Centro Internacional de Criação Teatral (C.I.C.T.) – Théâtre des Bouffes du Nord – França, trazendo o inspiradíssimo Sizwe Banzi Est Mort, dirigido por Peter Brook, onde atores brilhantes, carismáticos e conscientes nos mostravam o tão já conhecido "less is more".

Além desses, passaram por aqui muitos outros espetáculos que, infelizmente, não pude ver. Após tanto tempo reclamando de novidades nos palcos soteropolitanos, após algum tempo órfãos do queridíssimo Mercado Cultural, finalmente, um evento que faz a cidade voltar a respirar cultura por oito dias ininterruptos. Quem não sonhou em ter que escolher entre 03 espetáculos bons numa noite para assistir? Quem não sonhou participar de oficinas capitaneadas pelos melhores nomes do mercado cultural mundial? Quem não sonhou encontrar com os amigos, no final disso tudo, num local animado, com atrações boas, para trocar impressões de tudo, de todos e até de nada? O FIAC foi tudo isso e muito mais. Por isso, já estamos saudosos e esperando o próximo. Agora já fazemos parte do seleto grupo dos melhores Festivais Internacionais de Artes Cênicas do país. E este foi só o primeiro. Imagine!!! Que venha!!!

Creditos da fotos:
Aqueles dois: Diego Pisante
Ensaio.Hamlet:  Paulo Lacerda
Hysteria: Adalberto Lima

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"Não adianta pedir o milagre... Quando você menos espera, ele vem"
Publicado às 09:30 em 7/10/2008

Abrem-se as cortinas e lá está a trupe do XVIII para mais uma aventura. Desta vez, Milagre na Baía, uma fábula em prosa, poesia e música. Desta vez, com a união da Cia Axé do XVIII, dos Miúdos da Ladeira, de algumas crianças moradoras do Pelourinho e da atriz Evelin Buchegger, sob a batuta da também atriz e diretora Rita Assemany e texto de Aninha Franco. E, finalmente, desta vez, para comemorar os onze anos do Theatro XVIII.

Sempre resisto a escrever sobre peças que estou de alguma forma envolvida. Aceitei honrosamente participar da produção desta montagem, que é inspirada no filme "Milagre em Milão" (1951), do diretor italiano Vittorio de Sica. Inspirada mesmo, porque, apesar de não ser nada bairrista, ela é totalmente baiana e totalmente brasileira.

Milagre na Baía conta a história de Totó, um menino que, ao ser abandonado num cesto dentro do mar, é criado por uma senhora na Baía de Todos os Santos. Milagre, na verdade, abre espaço para que pensemos sobre os vários milagres com que nos deparamos, mas que, por uma razão ou outra, não os percebemos. São milagres que nos acompanham desde sempre, desde que o mundo é mundo, que está acima do bem e do mal, seja num nascer, num renascer, num florescer, num caminhar, num respirar... Milagre independe do nosso desejo, da nossa vontade, inesperadamente, inexplicavelmente... ele sempre vem.

Reunir 29 artistas no palco foi um ato de coragem e Rita Assemany, conhecida por suas irretocáveis interpretações, certamente, mais do que ninguém, tem consciência do tamanho desse desafio. Esse fato, inclusive, fez com que a direção invertesse o espaço cênico: a platéia virou palco e o palco virou platéia. Por outro lado, entregar a esses "milhares" de atores o desafio de cantar, dançar e tocar foi também um ato de loucura. Uma loucura boa e que, felizmente, deu certo e transformou-se num espetáculo sensível, tocante, envolvente e forte. É impossível sair do teatro sem se apaixonar pelas crianças, todas vizinhas do XVIII, sem se emocionar com as músicas compostas por Jarbas Bittencourt, sem ter vontade de entrar no palco, em busca do seu próprio milagre.

Milagre tem gente nova, tem gente experiente, tem gente inexperiente, tem gente com vontade, tem gente, tem gente... A sensação é de uma enorme tribo, num só corpo, num só ritmo, num só momento. Acompanhe esse milagre de quinta a domingo, as 20 horas, no Theatro XVIII. 

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Em paz com Dois Perdidos Numa Noite Suja
Publicado às 12:00 em 16/9/2008

Não vou mentir, não gostava muito dos textos de Plínio Marcos. Achava-os chatos, nojentos e depressivos. Ou melhor, não gostava mesmo era de algumas montagens de Dois Perdidos Numa Noite Suja que vi por aqui. E por conta disso, mantive um certo preconceito por toda a obra dele. Aí, me sentei numa biblioteca e devorei algumas de suas obras. Depois, também vi outras montagens. Inclusive, amei as mais recentes versões soteropolitanas de Quando as máquinas param (de Sérgio Almeida) e Barrela (da Companhia de Theatro Gente e Direção de Nathan Marreiro).

Acredito que muita gente pensa que interpretar Plínio Marcos é retratar sempre o sofrimento exacerbado, a depressão... Parece que pobre, mendigo, alcoólatra, menino de rua, ladrão... não têm sonhos, não têm humor, não acreditam no sol e são o tempo todo depressivos e pessimistas. Nãaaaaaaaaaaaaaaao. Eles têm sim. Na época em que fiz Os Iks, por exemplo, precisei observar os moradores de rua e, surpreendentemente, me divertia muito com alguns deles. Aquele mundo não é o ideal, pelo contrário, mas é o mundo deles. E eles aproveitam, com riso, com choro, com desespero, com pessimismo e também com otimismo. E Plínio também retrata isso, mostrando o "submundo", sem perder a humanidade, a busca pela dignidade e a capacidade de sonhar.

Nesta última quinta feira, dia 11, fui assistir, no teatro ACBEU, a montagem carioca de Dois Perdidos Numa Noite Suja, dirigida por Sílvio Guindane e interpretada pelos atores André Gonçalves e Freddy Ribeiro. A história reflete sobre a busca incansável do ser humano pelo poder e pelo ter em detrimento à busca pelo ser. Tonho deseja mudar de vida, e para isso, cobiça o sapato de Paco para, com este, poder estar mais apresentável e garantir uma boa ocupação e ganhar muito dinheiro. Que montagem bela!!! Os atores estão bem, sintonizados, mostrando a história com maior leveza, sem perder a verdade, o conteúdo crítico e reflexivo. André construiu o seu Paco com mais humor (o que poderia ser beeeeem perigoso), cheio de piadinhas, proposta totalmente comprada por Freddy, que construiu o seu Tonho sério, mas transitando, por vezes, pela linha pateta. É pra rir, se escandalizar, se escandalizar, depois ri novamente. Deles, dos outros e de nós, porque o Brasil, com os seus amores e dissabores, certamente, está ali, sem máscaras e com muita verdade.

Que bom ver um bom teatro!!! E viva a Plínio!!!
 
Crédito da Foto: divulgação.

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Abram alas... é tempo dos intercâmbios...
Publicado às 15:33 em 15/9/2008

Neste último mês, estivemos recheados de atividades culturais e, felizmente, parece que isso não mudará nos próximos meses, para os amantes das Artes Cênicas na Bahia. No início do mês tivemos o Festival de Teatro Lusófono (teatro internacional sem tradução) – Módulo Salvador, que trouxe a cidade a Companhia Fórum de Moura (Portugal e Moçambique) e Grupo de Teatro de Pesquisa "Serpente" (Angola), apresentando espetáculos e oficinas no Espaço Xisto Bahia.

Tivemos também, no Teatro Vila Velha, o Seminário História do Teatro Baiano nas Décadas de 60, 70, 80 e 90, realizado pela A Outra Companhia de Teatro, com a realização de debates interessantíssimos com as participações de Jussilene Santana, Harildo Déda, Cleise Mendes, Antônio Godi, Hebe Alves, Fernando Marinho, Chica Carelli, Carmem Paternostro, dentre outros grandes nomes do teatro baiano.

Nos próximos dias 16, 24 e 30, às 15 horas, no Teatro Martim Gonçalves, teremos o Seminário As Faces de Nelson, com o objetivo de realizar uma abordagem crítica e reflexiva sobre a obra de Nelson Rodrigues. É um evento organizado pela atriz e diretora Hebe Alves (Doutora em Artes Cênicas) e tem a participação de diversos estudiosos da obra do dramaturgo. É gratuito.

De 24 a 31 de outubro, a Bahia sediará o I Festival Internacional de Artes Cênicas (FIAC – BA). Esse Festival promete trazer grupos internacionais e nacionais, além dos grupos locais, movimentando assim, diversos espaços cênicos de várias cidades baianas. Além de espetáculos teatrais, teremos também workshops, debates, shows musicais, exposições, mostras de vídeo e outras manifestações culturais. Imperdível!

Em dezembro parece que teremos de volta o saudoso Mercado Cultural (ainda a confirmar), evento que movimentava Salvador há alguns anos, com diversas atrações do mundo, de diversos seguimentos artísticos, no Teatro Castro Alves – Sala do Coro – Concha Acústica. . Até tivemos uma Mostra no início no ano, no TCA, mas "diz que..." ele voltará neste fim do ano, como nos velhos tempos. Tomara!

É, parece que Salvador, aos poucos, volta a efervescer as suas Artes Cênicas, tão tímidas nos últimos tempos. É bom ver os artistas tendo a possibilidade oficial de trocar experiências com outros artistas, de outros lugares e, isso, é quase impossível no nosso dia, dia, corrido, quando a nossa preocupação real é lutar pela sobrevivência. Teatro é muito. É transformação, é aprendizado, é renovação, é crítica, é entretenimento e também é troca. Troquemos então.

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Patrícia Rammos é atriz, Bacharel em Interpretação Teatral pela Escola de Teatro, Universidade Federal da Bahia, desde 2001. No Teatro, atuou nos espetáculos Pedro e a cobra-de-fogo, Ora, Bolas, Irmã Dulce, Cinderela Black Power entre outras produções.

No cinema, atuou nos curtas “O Homem Mais Insuportável do Mundo”, “Uma Canção” e “Negros em Movimento”. Atuou na TV e no Rádio como apresentadora em diversos eventos e programas.Apresentou o Projeto Música no Porto, esteve na Produção Executiva de Policarpo Quaresma e atualmente está em cartaz com o espetáculo Pedro e a cobra-de-fogo.
 

 

 









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