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Publicado em 4/5/2009
Será o fim?

No ultimo dia 14 de abril, as luzes do Teatro Castro Alves se acenderam para o Prêmio Braskem de Teatro, que contemplou os melhores profissionais da área em 2008. Muitos afirmaram que a cerimônia teve pouco brilho, mas, na verdade, ela já está fosca há algum tempo. Inclusive, já tem um tempo que ouvimos o papo de que o prêmio não mais acontecerá, principalmente, pelo pouco prestígio que a empresa vem sentindo da classe teatral baiana.

Creio que, como incansável pensador, faz parte da essência do artista contemporâneo sobreviver de questões. Esse retrato foi visto em muitos dos que subiram ao pouco para receber e entregar os prêmios. Todos aproveitaram o espaço para questionar e fazer protestos. Não que isso esteja errado, pelo contrário. Temos que aproveitar esse encontro, tão raro, onde tiramos nossos melhores figurinos do armário e desfilamos para colegas e amigos que comungam das mesmas dores e sabores. A questão é como e por quê. É um desabafo? É uma convocação? É uma comemoração? É uma constatação? O que é essa enxurrada de coisas ditas em cima daquele palco?

As premiações? É claro que a gente gosta de algumas, não concorda com outras, mas não podemos esquecer que é só a opinião de sete pessoas. De certo, o Prêmio Braskem de Teatro é o reflexo do teatro baiano atualmente, que agoniza, mas insiste e ainda anda. A gente ama, odeia, quer, não quer... A diferença é que, querendo ou não, o teatro vai continuar ali, existindo, enquanto o prêmio pode acabar mesmo e a gente certamente vai sentir falta. Principalmente, porque apesar de todos os seus muuuuuitos defeitos, é o único que temos. E de certo é um evento que merece o nosso respeito e o nosso prestígio. Por isso, convoco a classe artística a lutar por ele. Não como objeto de mendigagem e, sim, de reconhecimento.


Eis os grandes contemplados de 2008:

Categoria Especial (Fábio Espírito Santo), Revelação (Rodrigo Frota), Melhor Espetáculo Infantil (Os Prequetéis), Melhor Texto (Dinah Pereira), Melhor Atriz (Cláudia di Moura), Melhor Atriz Coadjuvante (Elaine Cardim), Melhor Ator (Urias Lima), Melhor Ator Coadjuvante (Armindo Bião), Melhor Direção (Luiz Marfuz) e Melhor Espetáculo (Policarpo Quaresma).

Eu, particularmente, esperava que Hilton Cobra ganhasse como Melhor Ator. Não porque Urias não merecesse e, sim, porque Cobrinha foi espetáculo em sua leitura do grande herói nacionalista, retirado do livro de Lima Barreto. Ele era a alma de Policarpo e conseguiu transformar aquele nacionalista, às vezes chato, num guerreiro divertido e admirável. Sem querer também desmerecer os outros atores do espetáculo. Pelo contrário. Mas Hilton Cobra era O CARA da montagem do Núcleo do TCA.

Outro ponto forte, para mim, foi a premiação do multifacetado artista cearense, Rodrigo Frota, que além de ator, é aderecista, cenográfo... No ano passado, ele foi responsável pelos brilhantes cenários de Salomé, Atire a Primeira Pedra e o já festejado Policarpo Quaresma. Rodrigo é sem dúvida um dos artistas mais brilhantes de sua geração. Por tudo. Pelo talento, pela responsabilidade, pelo comprometimento e, principalmente, pelo amor pleno e visível que tem pelo que faz. Ele é um exemplo e eu sou fã.

Bom, agora passado mais esse momento de comemorações, nos resta brigar, esperar e torcer pela Edição que contemplará os Melhores de 2009.

 

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Patrícia Rammos é atriz, Bacharel em Interpretação Teatral pela Escola de Teatro, Universidade Federal da Bahia, desde 2001. No Teatro, atuou nos espetáculos Pedro e a cobra-de-fogo, Ora, Bolas, Irmã Dulce, Cinderela Black Power entre outras produções.

No cinema, atuou nos curtas “O Homem Mais Insuportável do Mundo”, “Uma Canção” e “Negros em Movimento”. Atuou na TV e no Rádio como apresentadora em diversos eventos e programas.Apresentou o Projeto Música no Porto, esteve na Produção Executiva de Policarpo Quaresma e atualmente está em cartaz com o espetáculo Pedro e a cobra-de-fogo.
 

 

 









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